VEM AMOR

 
Os teus dedos recém-nascidos no meu corpo
são mar inaugural, maré que me chama.
Abres em mim um horizonte líquido
onde cada sopro teu acorda o vento
e desfaz o prenúncio das tempestades.
 
Guardo em silêncio o segredo da febre
que cresce em mim nas palavras
mas o desejo transborda-me a voz
como um vinho antigo que se bebe devagar.
 
Ah, se soubesses
a dança inteira que desperto quando chegas…
O tango que me toma, em vertigem de ti
belo, belo, sempre belo, doce
como se os nossos corpos fossem astros
que só brilham quando se tocam.
 
Vem, amor.
Deixa-me acolher-te sem pressa
devorar-te apenas o bastante
para sermos inteiros 
tu a haste, e eu a raiz
num mesmo gesto de eternidade. 
 
 
A Metáfora Editora -Publicado  na Antologia - 2026
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