Versos sem destino

Inventei fantasias
 
imaginei existências
 
calcorreei motivações
 
despertei outras conivências
 
gerei pensamentos bravios
 
retidos na penumbra da noite
 
saltitando em convergências
 
consumindo-me no pavio suave
 
das tuas perfumadas essências
 
 
 
O mundo esqueceu-se de todos
 
estes desassossegos
 
povoando o site das minhas
 
memórias
 
onde se trajam as profecias
 
onde se almeja mais fé
 
onde se ajoelha esta oração
 
exposta numa carícia tão
 
premente em feliz penitência
 
 
 
Agora sou refém dos mesmos
 
silêncios caminhando a
 
esmo pelos dias finais
 
onde tateio um verso sem destino
 
provocando-te ao ao raiar do tempo
 
sinuosamente clandestino
 
 
 
Agora a cada hora milimétrica
 
balançando nos ponteiros desta
 
frágil existência
 
adormeço os pensamentos
 
em desatino
 
pulando pelos vazios da saudade
 
onde éramos
 
versos apaixonados
 
carícias desesperadas
 
beijos indiscriminados
 
 
 
Leva-me nos teus sonhos
 
daqui até além onde
 
eu tenha todas as chances
 
de reencontrar-te
 
quase inevitável transitando
 
pelo horizonte do tempo onde
 
costuramos premeditadamente
 
um naipe de sabores degustados num abraço
 
deixado estendido…soterrando-nos
 
de amor assim tão prematuramente
 
FC
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Comentários

Profundo. Adorei Frederico. Parabéns

"Agora a cada hora milimétrica
 
balançando nos ponteiros desta
 
frágil existência
 
adormeço os pensamentos
 
em desatino
 
pulando pelos vazios da saudade
 
onde éramos
 
versos apaixonados"

Obrigado pela visita e pelo gentil comentário

Bem hajam

FC

Muito profundo, o seu poema.

Amei!

Beijinhos. :)

Paula Pedro