Geral

O Relógio dos Inocentes

A vida é um rio que corre,

Num sopro breve de vento.

O presente logo morre,

No altar do esquecimento.

O ontem já foi agora,

O amanhã já se sente,

Enquanto o mundo lá fora

Rouba a paz de tanta gente.

 

Os ilustres traçam guerras,

Loteiam a liberdade.

Espalham dor pelas terras...

Que triste realidade!

A vida voa no tempo,

Nas asas do pensamento,

Cruzando o vago profundo

Deste nosso imenso mundo.

 

Que acorda, ora sorrindo,

A vida continua

A vida continua
A sepultura coleciona folhas secas
A dor perpétua
Faz vigília imediata
Nos olhos da criança
Meu gato me acorda às 5:23
Não se importando com meu sono
Por anos desgastado...
Por anos desejaram a insônia insana
Já o gato
Com suas necessidades essenciais
A desenvolver o seu roteiro
Particularmente, diariamente
E assim a vida continua
Em algum lugar, próximo ou distante, alguém faz amor
Em pecado ou com a provação
Divina
A vida continua indolor

Reconfigurar o trajeto

Mordiscar os lábios perfeitos
Quem disse que o amor começa com um beijo?
Deixa vir...
Antes, com as credenciais
Uma olhadela com profundidade única
Um abraço, antes o apreço
Sentir o que primeiro ?
Um arrepio que o cinema não consegue ver, muito menos registrar!
Um te amarei para sempre...
Discorde inicialmente
Das facilidades
Ame depois e durante...
Perdoe sempre!
Aja fogo para derreter as panelas
Perfeitas...
Que os alimentos não faltarão
Antes e depois dos beijos

"PRECE"

#poetry #literature #co-authorie

"PRECE"

by: Fernando Antônio Fonseca
& Veronica Vienna

a chuva precede a colheita

de quem planta

o sol antecipa a chuva

de quem ama

o fogo cala o frio

de quem não ousa

e atravessa a barreira

que, outrora

era quase intransponível

porfim,

a colheita cessa com a

turbulência da tempestade

e os corações sofridos

e esquecidos

tornam-se apenas

Tempo

Se convier à torre importante
Iluminar o meu barco neste mar
E que luzes inebriantes
Possam disfarçar o pesar
Que se passou nesta viagem quase inteira
Tempo, tempo, tempo
Algum conforto mostrar
Visitei o passado, ressuscitei
Algumas dores
Imagens mudas
Já que a alegria não veio para ficar
Não tem desculpas !
Houve, sim, alegria
Como passageiro itinerante
Entre fitas de VHS entorpecidas
Que estavam no móvel de imbuia
Viajei pro braços de
Quem me pertencia
Oh, ternura!

Carta regia de transição

É este o mel que impregna a colmeia
É minha dor se virando com o rebanho
Qual destino há para este universo doce protegido pela K47?
Ralando no pasto
É sempre o mesmo translado
Ao abatedouro

Tem boi ruminando
Uma saudade apertada
Um choque de realidade atual
Uma dor demasiada
É tanto passatempo
A maioria não se conhece no trem-bala
A fé é minha desalinhada
É como um calçado que não
Sabe distinguir os passos

Tenho sangue

Não provoca meu inferno, não!
Nem quero revelar meu telhado
O mínimo é meu
Os átomos também
Todas as minhas lágrimas
Estão enrustidas
O final do arco-íris
Não beneficia ninguém
Quero viver sem esta cantiga
Tenho sangue também

EU te dou a paz
Na crise da guerra
O sal da Terra
Não temperou este negócio
Todo dia ele cria mais um sócio

Teorema

Escurece
parece que não tem
efeito à prece
sobre o templo de papel

Amanhece
parece que não tem
efeito o flash
na ansiedade pelas fotos
de imagens irrequietas

Entardeceu
parece não
tem mais efeito todo
sinônimo para amar
em moldes de pai e mãe
no futuro, de uma só carne
mesmos dons praticar

A melancolia produz muitos frutos
felicidade parece não viver mais
mas deixa eu me livrar
da sangria
de alguns de seus frutos

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