Espinhoso Temporal de Mim

Outra vez o mar em sobressalto
inquietação que se abeira do abismo
nas lonjuras apaziguadoras do mar alto
que perco na longitude com que cismo.

Outra vez o céu negro, chuvoso e frio
outra vez a densa enxurrada de lama
na alagada existência que me chama
escorrendo tensa pelas margens do rio.

Obra de Génio

Obra de Génio
 
Será para sempre meu
este verso prometido
quando se materializar todo o milagre
resgatado entre as preces compelidas
e implementadas no refúgio 
da nossa voraz e impaciente despedida
aqui abandonada 
sem ter mais aquele teu
perfil como cortesia
nem adormecer sózinho sem mais
aquelas tuas apaziguantes fantasias...
 
Rasgo a terra com o arado
desta poesia galvanizada 

MINHA VIDA EM VERSOS

MINHA VIDA EM VERSOS

Como ondas do mar às vezes sem lugar
Destravada e com trejeito rezo meu terço
Vim do sertão e dos matagais sem berço
De bem com meu canto, credo e tradições

Nas minhas genéticas obscuras sem conexão
De professor adotei a vida informal
Através dos cantos e das almas sofridas
Dos louvores e das labutas de vida.

Nas minhas andanças de tempo criança
Da vida extinta sem abraço e sem afago
Solta no mundo vivendo o perigo dos náufragos

Longa Jornada

Minhas ambições na inglória luta enterrei,
Na inglória luta afoguei minhas paixões;
E naufragado em oceano de ilusões,
Lanço-me à bóia que eu próprio soterrei;

Os meus caminhos nunca os descerrei,
Neste emaranhado de desilusões;
Sem rumo certo ando aos tropeções,
No labirinto onde há muito me encerrei;

E assim para fugir a este infausto destino,
Procuro com um ímpeto ferino,
Um novo mundo para me albergar;

O Lance Patrimonial

O corpo é resistente
Mas os anos caem...
Os desejos são ardentes
Mas as chances se esvaem.
As pessoas se matam.
Se matam
E morrem...
As pessoas vivem.
Vivem
E correm...
Mas um dia tudo vai se ajeitar
Sinto pena dos que ainda insistem
Em desistir para vaguear.
É que tudo faz parte de um acordo!
Um lance patrimonial...
Em cada esquina
Cada chacina

Uns e Outros

Uns e Outros

O rochedo interrompia a melodia da planície
cravado nas entranhas gritava raízes ocas
cavernas escuras habitadas por outra espécie
de homens rastejantes de posses poucas

grutas sem fim ocultavam o outro lado do mundo
sob os pés dominadores do homem da superfície
Donos da verdade e da luz ignorando o fundo
apontavam ao céu sem escutar a harmonia da planície

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