Hoje, à semelhança de dias anormais

Hoje, à semelhança de dias anormais,
não estou inclinado a escrever sobre o amor.
Ele inclinou-me de mais,
uma vida toda; e nem uma flor.

Hoje, inclinado, apetece-me olhar a natureza.
Verificar a quantidade de desprezo, por vezes, maldade,
e, ainda assim, admirar que continua mostrando beleza,
a já saudade Natureza.

Quão admirável?
Quão inspirante?
Pena o sentimento ser inigualável
pelo seu habitante errante.

Epístola - 17

Fragmentos de mim

 

Eu te amo com toda a força de minha vida.

Eu te amo muito, não sei por que, não sei até quando só sei que amo.

Não sei o que faço sozinha aqui com todos estes sentimentos, 

com todos estes ecos de palavras ditas apenas pelos pensamentos.

Não sei o que faço com está saudade que nunca se acaba.

Com este silêncio que chora, que lê, vive e quer morrer.

Já acordo sepultando vontades, derramado dentro do peito coragens.

Eu te sinto tão triste, mudo, submisso. E nada sei fazer para cuidar de você.

last night

É noite... lá fora a cidade já dorme. Aqui, o tempo passa lentamente, abro o maço, tiro um cigarro, e puxo-lhe fogo. Penso na vida. Dias passados, dores sofridas, pontapés levados, lágrimas a rolar, enfim, um amontoado de coisas, hoje já sem nexo.
Sofro, estou só, desamparado, e acima de tudo odeio a vida, ou melhor dizendo, a vida repugna-me.
A noite vai longa, o sono não chega, dou voltas na cama... por fim adormeço. 7h15m, o despertador toca, acordo, . . . enfim foi só mais uma noite.

tristeza

Fecho-me num quarto escuro, onde tudo se torna claro, acendo um cigarro, o último do maço... choro lágrimas de sangue por alguém que quero que morra; tento extrair de mim toda a dor existente, mas não consigo, enfim... bebo um gole para esquecer, mas não consigo! O que será de mim.
Refugio-me num copo de absinto, e tento arranjar solução para o que me é visível, mas estou só e desamparado. Não me é possível, . . . estou triste.

Escrevendo a saudade

Sinto necessidade de escrever,
como tenho necessidade do acto involuntário de respirar.
Começo por ver, depois olhar, depois olho para ver
o que não me mostra o olhar,
enquanto inspiro palavras eleitas
e expiro frases feitas.

Olho o vazio, com aquele olhar cego e langue, pensativo,
de estar olhando lugar nenhum.
Um vazio emotivo que se expande
à medida que diminui a presença corporal
e aumenta o jejum da mesma presença real.

DESTERRADO

            DESTERRADO!

Sentou-se junto ao rio, tristemente...

Olhar vago. Semblante pensativo...

Perscrutavo o longínquo firmamento

Ansiando do céu um incentivo.

 

Que mágoa sentirá que o consome ?

Que esconde sob o olhar angustiado ?

Não terá um amor que o console ?

Terá sido por ele abandonado !?

 

No silêncio, seu grito era audível !

Quis comungar com ele seu sofrer ,

Atenuar-lhe a mágoa ...o doer !

 

Correrá atrás  d'um pouso fiável ?

Ou s'enredou na teia que teceu ?

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