last night

É noite... lá fora a cidade já dorme. Aqui, o tempo passa lentamente, abro o maço, tiro um cigarro, e puxo-lhe fogo. Penso na vida. Dias passados, dores sofridas, pontapés levados, lágrimas a rolar, enfim, um amontoado de coisas, hoje já sem nexo.
Sofro, estou só, desamparado, e acima de tudo odeio a vida, ou melhor dizendo, a vida repugna-me.
A noite vai longa, o sono não chega, dou voltas na cama... por fim adormeço. 7h15m, o despertador toca, acordo, . . . enfim foi só mais uma noite.

tristeza

Fecho-me num quarto escuro, onde tudo se torna claro, acendo um cigarro, o último do maço... choro lágrimas de sangue por alguém que quero que morra; tento extrair de mim toda a dor existente, mas não consigo, enfim... bebo um gole para esquecer, mas não consigo! O que será de mim.
Refugio-me num copo de absinto, e tento arranjar solução para o que me é visível, mas estou só e desamparado. Não me é possível, . . . estou triste.

Escrevendo a saudade

Sinto necessidade de escrever,
como tenho necessidade do acto involuntário de respirar.
Começo por ver, depois olhar, depois olho para ver
o que não me mostra o olhar,
enquanto inspiro palavras eleitas
e expiro frases feitas.

Olho o vazio, com aquele olhar cego e langue, pensativo,
de estar olhando lugar nenhum.
Um vazio emotivo que se expande
à medida que diminui a presença corporal
e aumenta o jejum da mesma presença real.

DESTERRADO

            DESTERRADO!

Sentou-se junto ao rio, tristemente...

Olhar vago. Semblante pensativo...

Perscrutavo o longínquo firmamento

Ansiando do céu um incentivo.

 

Que mágoa sentirá que o consome ?

Que esconde sob o olhar angustiado ?

Não terá um amor que o console ?

Terá sido por ele abandonado !?

 

No silêncio, seu grito era audível !

Quis comungar com ele seu sofrer ,

Atenuar-lhe a mágoa ...o doer !

 

Correrá atrás  d'um pouso fiável ?

Ou s'enredou na teia que teceu ?

Despedida

Despedida

Vem sentar-te comigo ao entardecer
Sentir as metáforas moribundas de um peito aberto
Rasga de mim o rascunho desbotado da lágrima
...erradia de mim um verso...ébrio...
...uma melodia crepuscular...
Retira de mim toda a ternura que nunca escrevi
Bebe dos meus olhos , o sal que o mar não tem
O diluvio serenado em silêncio ...

CACHOEIRA

Sobre o frio dorso de pedra,
Qual da musa a pele lisa
Seu influxo quando medra
Tão veloz ele desliza,
E sua lampeira queda
Nas torrentes alguém frisa.

De colossal formosura
Ela exibe a cabeleira,
Um manto cuja ternura
É mágica e feiticeira!
Mais parece uma moldura
Da beleza derradeira.

Vem de longe, mui distante
Este sangue transparente,
Que correndo qual infante,
Rastejando qual serpente
Lança o voo delirante
E despenha decadente.

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