NADA O QUE DIZER, APENAS NADA O QUE DIZER

Nada o que dizer, apenas nada o que dizer
Sem fronteiras, sem legados, sem vontade e sem tortura
Sem desejos por cumprir, sem carinho e sem ternura
Nada o que dizer, apenas nada o que dizer

Na verdade o dia passa no acalento do seguro
E o que um dia fora claro ora nos deixa no escuro
Todo o chão que era muito ora é perto e tão distante
Tudo que fora odiado ora é o teu melhor amante

Sinto que sou

Sinto que sou
o que sinto ser.
Um pássaro que não voou;
Um amanhã que não chegou a amanhecer.

Sinto que estou em falta,
desconhecendo-o.

Sou nada, tudo o que não queria ser,
[sou] uma miragem arrastada
prepositada a me fazer ver.

(...)

Eu vejo os outros,
que ainda têm menos que eu
e lamúrios tão poucos!
(A força que Deus lhes deu)

Desejo da ilusão

 

Desejo da ilusão

Vou te contar uma historinha
Você me diz que se sente vazia
Me da um sorriso
Mente sobre seu sumiço

Não há motivo para alarmar
Esta calma
Como a chuva no ar
Me olhando sem piscar

Te pergunto
O que você quer?
Você responder
Quero ser mulher

Até o quarto nós vamos
nos amamos
Enrolamos
Só por enquanto

Mas oque importa é o dia seguinte
Ver seu rosto na luz
E saber que pra sempre
Você é minha... me seduz

Mingau

Mingau

Que tal algo mais superficial
Uma dança
Um luau
Algo simples que nem mingau
Até me deu fome, uau

Tipo só eu e você
Pele na pele
E o desejo? Cadê?
Ta ali
Ali no bosque atrás de você

Um meio sorriso
bem bonitinho
Fofinho de se dizer
Só pelo prazer
Quero beijar, lhe ter

Depois vamos comer sushi?
No shopping bem ali
De la pra casa
Dormir na estrada
Embaixo da geada...que nada

QUANDO MORDI AQUELA MAÇÃ

Quando mordi aquela maçã
Vermelha e fresca, fresca e vermelha
Com seu aroma me embriaguei;
Banhei-me c`os raios da manhã
Doirados qual o corpo da abelha,
Que me contornando divisei.

Senti dos riachos a fragrância,
Das flores a suave textura
Em minha boca a se desmanchar.
Abri aquele riso de infância
Ante à sua rubra formosura
Às nuvens da tarde similar.

Os Profetas

O Santo na pedra cristaliza um sonho de bondade
e a arte de Aleijadinho lhe permite a vida eterna.
Barrocos olhares miram o infinito
e as faces de anjos e de demônios
perpetuam em frios granitos
os homens e seus gritos.

O eco dos carrilhões
espalha a falsa santidade,
mas o ouro dos altares
não oculta o cesto de pesares.

As ladeiras carreiam os martírios
e nas Inconfidências vagam os delírios.
Impávidos, os Profetas a tudo assistem
e recusam o milagre rogado.
Somos o Passado.

Morte

Aqui no quarto escuro
Silencio vem me ver
A morte me buscar
Pra longe vou viajar

Brincar com as palavras
Belo modo de se expressar
Mas qual a honra nisso
Se não pra bajular

Não adianta escrever
Sem nada pra dizer
Vai ser só blábláblá
Como acabei de falar

Não sou poeta
Nem escritor
Sou só um garoto
Com o coração melado de amor
Doce como aquela flor
Pena que já morreu, toda cheia de dor

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