Como descobri que era Poeta

Foi por acaso que Jomad’o Sado

Descobriu um dia que era um Poeta

Tinha ido até à cidade, montado na bicicleta

Ia à praça para ver o que havia lá de pescado

 

Parou entretanto num pequeno Café

Ali mesmo na esquina, perto do Sr. Zé

Pediu um café daqueles bem tirados

Reparou no canto na Rita e o José irritados

 

Aproximou-se deles para ver que se passava

Porque motivo ela dele tanto reclamava

Será que posso em algo ajudar

Disse simpático para a conversa pegar

 

Estar vivo

Como sentir que estou vivo

Como ainda perceber que respiro

São coisas que não vêm no livro que lemos

E todos o lemos quando nascemos

 

 

O milagre da vida, fruto de dois diferentes

Amor transformado em seres inteligentes

De um apenas, multiplicar-se por centenas

Moléculas que criam braços, corpos, pernas

 

E nascer, tudo é sinónimo de sofrer

A dor de cair, sem ainda se aperceber

Perder aquele espaço, aquele intervalo

Onde tudo fazia sentido, sem qualquer abalo

 

Momento de glória

Anseias pelo momento

Aspiras e respiras a vitória

Sabes que é agora ao sabor do vento

O teu momento de glória

 

Apenas mais um esforço

Obrigas o teu cansado corpo

Bebes àgua como reforço

Desesperas pelo abrigo do porto

 

A emoção cresce a cada minuto

Os olhos concentram-se em ti

Era um sonho ainda em bruto

De venceres por fim aqui

 

A linha branca marca a glória

Já no fundo ela se avista

Será teu este momento de glória

Apenas mais uns metros de pista

 

Ali apenas por ti

Foi ali que apenas por ti, eu senti
que a vida fazia sentido afinal
Deixei de ser um bruto, um ser bestial
Foi ali que apenas por ti, tornei-me normal

Foi ali que apenas por ti, eu esperei
Que todas as dificuldades enfrentei
Muitos e difíceis desafios superei
Foi ali que apenas por ti, que te amei

Foi ali que apenas por mim, tu viestes
Livraste-me do mal até das piores pestes
Trouxeste-me de volta a inocência do bem querer
Foi ali que apenas por mim, ensinaste-me a viver

Tocamos o Fundo

Tocamos o Fundo

 

Colhi no relevo do teu corpo as mais lindas letras

que no meu coração começaram a fluir.

Cresce o mar de emoções dentro de nós,

ondulações gigantescas invadem os corpos.

 

Fábula de nós  em crença do nada,

respiramos o fundo e fundo nos tocamos,

lamento tangível do Amor

em caligrafia das ânsias em êxtase

de tocarmos o fundo.

 

Serenatas de sentimentos vibram em fúria esta noite

em abraços angélicos.

Retomamos á Origem os lábios além lábios

Dignidade

Dignidade

 

A dignidade é a última coisa que se pode perder. Sem ela, nem o sexo, nem a paixão, nem mesmo o amor resistem. Sexo sem dignidade é estupro. Paixão sem dignidade é submissão. Amor sem dignidade é solidão a dois.

 

Charles Silva

Coragem

Ainda chove nesta madrugada. 
Lágrimas de anjos que caem suavemente desde... nem sei quando.
Na verdade, eu cruzei a fronteira em silêncio
até ao fim dos meus sonhos...
e agora
resta-me um coração vazio
embora contenha em si ainda três recantos:
o primeiro protege o último amor,
o segundo, contém as cinzas dos meus anseios destruídos,
o terceiro... de tão vazio, limita-se a ser...
só, numa dor pesada e sombria.
Ah, se pudesses chegar agora

SEU CORPO, MEU DESEJO

Deito meu corpo junto ao seu, 
Sinto seu calor, estas a dormir. 
Ouço tua respiração pauseada pelo sono.
Roço meu corpo ao seu.
 Sinto vontade de tocá-lo, amá-lo.
Mas não quero tirá-lo dos seus sonhos.
Pele com pele, e a minha queima a cada contato.
Quero-o não posso ficar assim!
Preciso de você 
Preciso senti-lo! 
Tenho sede! 
Sinto fome de amor.
Não posso mais...
Minhas mãos passeiam sobre teu corpo.

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