Palavras do Poeta

Foi naquela uma hora de dia qualquer
Que a poesia foi incapaz de perdoar tal palavra.
Seus soluços voavam como pluma
Enquanto a pele chorava triste,
Sem coragem
Como mar em ressaca nas areias nubladas...
Deveria ousar o sofrido
Deveria assoprar mais o fino gemido,
Mas poemas assim gritam em fúria tanta,
Com ódio e assassinos...

Ouviu-se o lamento tangível da frase,
Outra prece veio
De nada adiantou.

Pau de canela

Pau de canela

 

Sou a canela que envolve o pau colhido em deserto alheio,

sou o cheiro que invade o teu café,

sorve-me por inteira em dois lábios,

mexe-me com dedos de pétalas,

eleva-me ao infinito manto de pele vermelho paixão,

queima as minhas entranhas com o pau de canela acalorado.

Somos a chávena única transbordante em tempo presente e perfeito.

Espero-te em segredo no tempo,

no amanhecer em pele nua,

na mesa,

na cama,

Diálogos do Éden ( parte VII)

Diálogos do Éden ( parte VII)

 

Quero-Te Aqui mais Amante do que as infinitas rosas da língua.

Seremos ícaros da água em fogo batido em argila nua.

Uma noite inteira, um mundo inteiro,

uma translação inteira do Eterno inteiro sobre Ti seremos mais do que Deuses,

cosmos deseja nosso Eros para vibrar e arder.

Perante a luz da noite somos o arder em floresta de chuva,

a combustão impossível de dois corpos.

Quero-Te Aqui dentro do fruto da árvore do jardim,

CHORA CHUVA EM MIM

CHUVA CHORA LÁ FORA ...

EU CHORANDO AQUI DENTRO.

DENTRO DE MIM, PINGOS DE LÁGRIMAS, CAEM TÃO FORTES COMO 

OS PINGOS DA CHUVA  LÁ FORA.

ÁH! SE ESTA CHUVA LAVASSE MINHA ALMA!

E SE DEPOIS QUE SE FOSSE O SOL ME AQUECESSE?

E AS MÁGOAS QUE TENHO!

EM POÇAS DE AMOR TRANSFORMASSE?

MAS NÃO!

A CHUVA É FRIA, APAVORA!

AUMENTA A VONTADE DE IR EMBORA.

SAIR LÁ PRA FORA!

VIVER , SONHAR...

O MUNDO É MEU! NÃO IMPORTA !

SE ALGUÉM AQUI NÃO ME ADORA.

MAS ESTE MEDO DO QUE?

EU NÃO SEI!

Amor na chuva

Amor na chuva

 

No calor da noite somos o arder da floresta de chuva.

Perdidos  em pele demais pele vestida de água,

fustigamos o beijo eterno em lábios limitados

e o Amor na chuva começa.

Despimos o preconceito da nudez dos corpos no húmido

enlace de tatos sensuais.

Arfar o teu cheiro por entre as gotículas,

enroscar-te,

morder-te,

queimar os espinhos que rasgam as artérias,

soletrar-me lentamente os limites dos vales e montanhas,

beber - me na fonte de água dissolvente em meu mel e na

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