De Fato

De fato

Que o tempo me leve onde for
Enquanto não, curto a dor do amor
Que de fato não doe, porém é enfático
Infeliz de quem nunca sentiu essa dor
Que não doe, mas nunca deixa de ser fato
Enquanto o tempo me permitir ir
Levo comigo essa dor de fato

Charles Silva

FIM DE TARDE

                             Quando a luz vai embora
                              é chegado o fim do dia
                             O sol produz a aurora
                              é a hora da Ave-Maria!

Golpe baixo

Golpe baixo

 

Não gosto de acordar cedo, mas sempre que minha mulher quer que eu acorde cedo, ela não reclama, não coloca música alta, não fica me xingando pra que eu levante, nem faz reclamação alguma, Ela faz pior. Ela sobe na cama e faz sexo oral em mim. Daí não tem jeito, acabo acordando.

 

Charles Silva

Súplica

Deram-nos todas àquelas horas fora dos tempos,
Deram-nos a flor perdida por anos atrás

Anjos tortos jogam gosto para dentro de bocas
Bem no momento que o sangue seca,
Bem na época tonta do corpo sem carne.

O amanhecer não pensa o dia
Nem culpa a noite.

Viram o ereto meio dia excitado
Na comunhão transparente do espírito vestido

Estrelas eram pedras de luzes amarelas
Feitas fontes a despejar águas simples
Pelos cursos das memórias lápides desenterradas.
Todos assobiaram aconchegos nas bocas belas das almas.

Voos

Já não me basta o voo sonhado. É preciso que eu encontre asas
e fuja desse labirinto, onde as almas penadas de mulheres violadas
fizeram suas moradas.
São Paulo é muito grande, mas disse o Poeta, que maior é o Mundo.
Na outra esquina vejo a porta de saída, porém, hesito em cruzar a avenida. Paralisa-me o medo dos covardes
que trocam a liberdade pela insossa vagina de toda tarde.
E seria tão fácil... tão bom despir-me da utopia.
Maldigo Schopenhauer e esse "tanto querer".
Maldigo esse "querer viver". Essa insistência em ser.

A VOLTA DE ASA BRANCA-Alvaro Sertano

A VOLTA DE ASA BRANCA!

Volta Asa Branca!
Se foram a mágoa e o acauã.
Escuta aboios e chocalhos espalhados,
neste sertão engalanado.
Cantam pássaros e cachoeiras...
Transbordam lágrimas e riachos...
Árvores de braços verdes
para o abraço amado, do retorno.
Há tanta paz e renascer!
Tanta fertilidade!
Caminhos verdes,
e boninas espalhadas
para o arregalo dos teus olhos.
Volta...
Se foram a mágoa e o acauã

Alvaro Sertano,

A RUA DO PASSADO-Alvaro Sertano

A RUA DO PASSADO!

Ontem passei pela rua
onde antes para nós,
víamos a lua
o sussurro de sua voz,
parecendo não ser tua.

Há muito que nos vimos
e eu não resistir
a falta dos teus carinhos
começando a sentir
saudades da rua do passado.

Aquela rua,
retrato, lembrança
não só tua, nossa
de ensejo e paixão
inda me lembro,com ternura.

Alvaro Sertano,1982

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