Para ti Sofia

Em cada vulto na multidão

Em cada esquina por dobrar

No deserto da minha mão

Eu anseio por te encontrar

 

Minha querida Sofia

Oh saudades que de ti sinto

A tua companhia

Era algo tão distinto…

 

Mas sei que de mim não queres nada

Sou tolo, sim, por te querer ao meu lado.

E as cartas que ficaram por ler

Talvez noutra vida as ouvirei

 

Até lá, tem uma boa jornada

Se apenas fosse outro o fado...

E todos os versos por escrever

Talvez noutra vida t’os cantarei.

"CORRER ATRÁS DO VENTO"

RUNNING WHERE TO?

by: Fernando Antônio Fonseca

"I run after the wind

I came from I don't know where

slowly is not how one gets far"

-Chico Buarque de Holanda

running...running...
where to?

if there's never anywhere to arrive

if one never gets close

or approaches

-to what?

running defying

the limits of man

carrying the insane sweat

of an impossible destiny

crossing deserts and hills

that stitch our inner landscape

overcoming obstacles and storms

Minha invisibilidade

Minha invisibilidade
(1Evaristo)

Minha invisibilidade não é orgânica
É previamente programada
Não importa se a poesia é romântica
Ou tem mensagem mais elevada.

Talvez seja por causa de família
Ou até estratégia de quadrilha
Pode também ser carma, darma
Ou alguém sob ameaça de arma.

Até os que me seguem muito agradeço,
Mas no algoritmo até eles desapareço
E isso é mistério que só pagando,

Gestores do nada

Gestores do nada
(1Evaristo)

Gestores do nada, que vivem a reclamar
Desse povo que se recusa em trabalhar
Perdoem leve, porém preciso questionar
O que têm feito dia a dia pra melhorar?

Os acordos com políticos e sindicatos
Poderiam reverter em salários
Pois, na escassez de mão de trabalho
Nenhum desses vão a loja ou ao pátio.

Gestores do nada sem benevolência
Ou mínima compaixão a alheia vivência
Vendo inertes toda essa situação

O estimado

O estimado
(1Evaristo)

Entra ano sai ano,
Eleição após eleição
O trabalhador entra pelo cano
Repetindo o mesmo refrão.

Há mais de quatro decênios
Os mesmos postulam ao poder
E o povo cúmplice silente sofrendo
Ao pior no que eles conseguem fazer.

Entra ano sai ano, eleição após eleição
O povo justifica o amor ao seu ladrão
Com guerra medieval nas redes sociais:

—Ah! Precisam ter consideração
Porque este país é grande por demais
O estimado rouba sim, rouba, mas faz!

Ouro

Ouro
(1Evaristo)

Foi um período difícil,
Passageiro, mas com sacrifícios,
(As vezes uma alimentação por dia)
Porém, temporário, disso eu sabia.

Foram uns dias que lembrar cansa,
Vendia o almoço pra garantir a janta,
Os caminhos que não mais percorrerei
Porque coisas boas viverei.

Hoje quando algo é bom
Digo que é muito bom mesmo
Aliás, confirmo muito bom é pouco,

A vida é música de positivo tom
Com alegria nos mínimos desejos,
As coisas boas que chegam viram ouro.

Procissão dos defuntos

Procissão de defuntos
(1Evaristo)

Dividido entre aqui e ali,
Perdido entre cá ou acolá
O povo segue a se iludir
Que esse ou aquele vai melhorar.

Batendo na parede
Com martelo de plástico,
O povo vive guerra medieval nas redes,
Sem ver que nada melhora de fato.

Olho com certeza que tem como melhorar
No caminho mais difícil que é estudar
Pois hoje qualquer um sabe muito

Sem na verdade pra si mesmo olhar
Que os jogadores da fé apostam juntos
Sugando o resto na procissão dos defuntos.

Prisão

Prisão
(1Evaristo)

Tudo o que você pensa
Se repete, repete vira crença
Saiba que através da repetição
Cria todo dia sua prisão.

Se você repete, repete
Palavras chulas, bobagens da internet
Acredite, pois através da repetição
Você certifica a sua prisão.

Agora aqui vai um adendo
Mesmo não me entendendo
Use a seu favor todo dia a repetição

Não acredite em mim, vá fazendo
Logo terá em suas mãos
As chaves que abrem esta prisão.

feradapoesia.blogspot.com

Reflexos

Reflexos
(1Evaristo)

A vida foi feita pra ser abundante,
De onde vêm as crenças limitantes?
Suas escolhas certas ou erradas
Refletem também em suas palavras.

A vida é benção, benesse diária
Suas escolhas inclusive suas palavras
Definem o que há de ser.
Já refletiu sobre o que repete a dizer?

A vida é bela feito tela em branco
Você é que pinta o que e o quanto
Refletindo também em seu dizer

A vida, a dor, a alegria e o pranto
São os reflexos do que se põe a fazer.
Quais palavras refletem você?

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