Turma da cozinha

Turma da cozinha
(Evaristim)

Evite demandar contra comida
Se não aprecia sequer toca,
Evite a palavra mal dirigida,
Deixe a quem precisa e gosta.

A turma da cozinha tem batalhas
Por vezes (muitas vezes) ingratas
Transformam com dedicação a matéria
Em fluidez etérea.

Não é fácil o dia a dia
Da turma da cozinha
Que tem que dar conta do recado

Logo, não seja sem empatia
Porque (acredite) é muito trabalho
E nem sempre há compatibilidade no salário.

feradapoesia.blogspot.com

O evangelho dos fariseus

O evangelho dos fariseus
(1Evaristo cit.: @aymeemusica)

O reino virou negócio,
O nome de Deus em qualquer troço
E alguns dizem ter respeito,
Mas o que se vê é puro preconceito.

Há o tal do evangelho dos fariseus
No qual se fala pra e entre os seus
Enquanto nos caídos a levantar
Jogam pedras por não os aceitar.

Enquanto isso no Marajó
O povo abandonado e só
Lamenta mais um que desapareceu

Porque os jogadores da fé feito os faraós
Ostentam em Dubai as custas dos seus.
Até quanto isso, Meu Deus?

Presos das palavras

Presos das palavras
(1Evaristo)

Até que ponto somos presos das palavras?
Chamar guerreiros é guerra que não acaba.
Somos todos responsáveis em viver
O que aceitamos de nós dizer.

Todos sabem que palavra tem poder,
Qual palavra se permite lhe prender?
Do que se chama condiz
Com o que (pra si) sempre quis?

Agora deve-se cuidar
Do que se chama e se permite chamar
Pois, o que dizem e aceita sobre você

É a palavra que vai lhe aprisionar
E incondicionalmente irá viver
O que nunca quis pra você.

Chamamento

Chamamento
(1Evaristo)

Já parou para refletir, raciocinar
Que o primeiro de "guerreiro" lhe chamar
Querendo lhe estimular
Acabou por lhe aprisionar?

Sem mágoas ou ressentimentos
Quantas agruras por esse chamamento?
Talvez se lhe dissesse herdeiro
Seu trajeto teria quem sabe outro efeito?

As palavras tem poder
E em quantas teve que viver
Porque alguém assim lhe chamou?

Talvez, talvez possa enfim entender
Por tudo o que já passou
Passe a se chamar de Deus recebedor!

Para ti Sofia

Em cada vulto na multidão

Em cada esquina por dobrar

No deserto da minha mão

Eu anseio por te encontrar

 

Minha querida Sofia

Oh saudades que de ti sinto

A tua companhia

Era algo tão distinto…

 

Mas sei que de mim não queres nada

Sou tolo, sim, por te querer ao meu lado.

E as cartas que ficaram por ler

Talvez noutra vida as ouvirei

 

Até lá, tem uma boa jornada

Se apenas fosse outro o fado...

E todos os versos por escrever

Talvez noutra vida t’os cantarei.

"CORRER ATRÁS DO VENTO"

RUNNING WHERE TO?

by: Fernando Antônio Fonseca

"I run after the wind

I came from I don't know where

slowly is not how one gets far"

-Chico Buarque de Holanda

running...running...
where to?

if there's never anywhere to arrive

if one never gets close

or approaches

-to what?

running defying

the limits of man

carrying the insane sweat

of an impossible destiny

crossing deserts and hills

that stitch our inner landscape

overcoming obstacles and storms

Minha invisibilidade

Minha invisibilidade
(1Evaristo)

Minha invisibilidade não é orgânica
É previamente programada
Não importa se a poesia é romântica
Ou tem mensagem mais elevada.

Talvez seja por causa de família
Ou até estratégia de quadrilha
Pode também ser carma, darma
Ou alguém sob ameaça de arma.

Até os que me seguem muito agradeço,
Mas no algoritmo até eles desapareço
E isso é mistério que só pagando,

Gestores do nada

Gestores do nada
(1Evaristo)

Gestores do nada, que vivem a reclamar
Desse povo que se recusa em trabalhar
Perdoem leve, porém preciso questionar
O que têm feito dia a dia pra melhorar?

Os acordos com políticos e sindicatos
Poderiam reverter em salários
Pois, na escassez de mão de trabalho
Nenhum desses vão a loja ou ao pátio.

Gestores do nada sem benevolência
Ou mínima compaixão a alheia vivência
Vendo inertes toda essa situação

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