Leveza

Leveza
Mauro Antonio

Felicidade é mais ou menos assim
A gente vai na fé,
Vai de van, carro, trem, a pé,

Vai ciente até o fim
De o que no caminho se faz jardins,
Só não vai além quem não quiser.

Felicidade é trem doido, troço, bom astral,

Percebê-la no caminho dá leveza no final.

Próprio flagelo

Próprio flagelo
Mauro Antonio

Sabe o que comumente acontece?
A pessoa não sabe o valor que tem
E por não saber agride, ofende alguém,

Falta Discernimento, meditação, prece,
Olhar pra si como realmente merece
É raro quem se ver mal desejar o bem.

Tem gente perdida seguindo cegos

Por isso, vaga vazia vendo ruir seus castelos.

CONTO DE NATAL

Era uma noite fria e escura, numa aldeia perdida, ou talvez esquecida, em Trás-os-Montes. Nessa aldeia, vivia uma menina sonhadora chamada Maria. Ela morava com os pais e os seus irmãos numa casa velha de pedra. Era a noite de Natal, e, como todos os anos, a família preparava-se para a celebração, mas este ano tinha de ser duma maneira diferente e muito simples. Maria olhou para a lareira e perguntou, com um tom triste:
 
— Mãe, por que não fazemos o presépio e não temos presentes este ano?
 

Destroços de mim

Destroços de mim

À deriva encantos perdidos, sonhos desmantelados e a inabalável fé que sulcava o meu ser em névoas de breu no horizonte se dissipou.

O voo da andorinha já não mais transporta a liberdade,

A singela beleza da flor já não ofusca os meus sentidos,

O imenso mar já não abraça o meu sonho de partir,

Apenas aquela sombria e imunda dor tolda as minhas vísceras carregando com ela o desprazer de viver.

Já não encontro o sorriso de uma criança do outro lado da rua de pedra calcetada e pelo homem desenhada,

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