Cá e Lá

Cá estou eu;

Às vezes chego até ali,

Me acerco, às vezes, de acolá…

Mas lá?

Para mim não há lá!

Para mim, que sou de cá.

 

De cá olho para lá

Com olhinhos espichados,

Com olhinhos apertados

Como tentasse ver claramente

O que de lá aparece para mim, enevoado

Envolto numa bruma que torna lá irreal

Que se como se lá fosse uma ilusão,

Um sonho para quem é de cá.

 

Ponte não há

Senão aérea,

Senão etérea, cyberficial

Que conecte cá e lá

Por onde trafegam informações

Que dizem por lá que cá existe

Quem contam cá as maravilhas de lá

 

Lá é melhor?

Mas cá é muito bom!

É confortável cá,

É aconchegante cá;

Os de lá vêm para cá!

Então, por que lá vou eu?

 

Para mim não há lá,

Para mim, que sou de cá!

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