Céus perdidos

♫ Lin Hai - Loss - Sky (cielos y nubes) V&D

Quando eu souber
 
acreditar
 
que foi esta inspiração
 
sôfrega
 
que assim nos uniu
 
cegamente desafiando
 
razões ou pareceres
 
abrigados em tantas
 
das nossas felizes maluquices
 
descansarei então finalmente
 
meus medos
 
secretamente arrumados na escrivaninha
 
onde repousam marginais
 
e inevitáveis
 
tantos dos nossos deliciosos segredos
 
alguns talvez até em fase terminal
 
 
Quando perder os teus céus
 
encetarei novamente
 
o caminho de regresso
 
ao mesmo enredo fiel
 
em que depositámos
 
ilusões rotineiras
 
sensações passageiras
 
tempestades de tempo transbordantes
 
e derradeiras
 
até que pereça toda a saudade
 
milimetricamente intemporal e a nós sujeita
 
 
Quando na soleira do tempo
 
me sentar
 
esperando paciente o dia chegar
 
reformo de vez
 
as crenças divagantes
 
meus esconderijos amadurecidos
 
no consolo de tantos abraços
 
fortalecidos na canseira mitigante
 
 
Proporei aos céus
 
perder-me eu
 
pelos teus corredores de vida elegante
 
fotografar-te velozmente num zoom
 
descontraído
 
onde colecciono teus beijos
 
indecifráveis e ofegantes
 
 
Situar-me feliz
 
no teu colo retumbante
 
porque assim sinto
 
teus castigos dóceis
 
aflorando minha solidão
 
inteira
 
inevitável
 
mas quem sabe…irrevogável e passageira
 
FC
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Comentários

É preciso ser poeta, ser sensível, ter uma visão muito além do que é material e sentir este ser e não ser, para desfiarmos poemas e prosas. Por vezes as palavras encontram um bocado de nós e com elas os caminhos do Céu. Os ecos emanados pela prosa/poesia do Federico, é estribada de grande sensibilidade e grandeza . Um abraço, João Murty

Obrigado pelo comentário amigo e 

poeta JMurty. É a poesia que nos faz

viver e ter por vezes desejos celestiais

Um abraço

FC

O poeta ou poetisa, sofre tanto, que Deus os presenteia com a poesia.

A poesia vem até nós e não nós, até a poesia!

Abraços poéticos!