" Memórias entranhadas..."

   O maldito sonho está a interferir. Consigo vê-lo nas ocasionais mudanças bruscas de posição na cama ( como se tentasse arrancar-me as memórias num devaneio do passado ) e no meu coração agitado. O sol, já martela as pedras da calçada, olho por cima do ombro, por uns instantes, enquanto o Céu me atinge como uma cacofonia ( nome dado para a junção de vários sons discordantes e desafinados ) na melodias relutante do canto da primeira ave... e, desta forma, caio no átrio do julgamento, vacilo entre uma curiosa ausência do tudo ou nada, e vagueio numa convicção estranhamente objectiva de que, caso não execute a minha destruição, ficarei para sempre recordado pela ironia da sua execução.

 

LuisGi

Outubro/2016

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