O rosto da tristeza...

Oh tristeza minha tristeza,
de que tristeza sofres tu,
mudas de rosto tantas vezes,
mas não morres em nenhum...
quisera eu matar-te,
afogar-te no meu olhar,
tentativas vãs essas minhas,
tu não te deixas assassinar...
Há um encanto qualquer,
entre a inocência e o belo,
dessa tua triste existência,
que nos corta como um cutelo...
És mais bela que a alegria,
porque ela vive do ar,
tu vives da dor alheia,
de um peito a sagrar...
a ti te entregam a pureza,
do verdadeiro sentir,
a tristeza não se inventa,
de ti não se consegue fugir...
Podes até tentar esconder-te,
num sorriso de uma criança,
mas os olhos denunciaram,
a magoa que neles dança...
Um dia eu hei-de repatriar-te,
para um sitio qualquer,
só para não ver nenhuma lágrima,
no rosto de uma mulher...
São elas que mais te choram,
sabe lá Deus o porquê,
talvez seja porque amam,
aquilo que mais ninguém vê...

Ártemis

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Comentários

Que profundidade literária! Um poema de grande valor e lirismo. Merece alcançar os ouvidos e corações dos amantes da poesia.

Marcos, obrigada pelas suas palavras!

Abraço

Ártemis