Olissipo

Sabe ao Tejo e sabe ao sal
e sabe à excessiva alma
de que é feito Portugal.
Tem gosto a eternidade,
ao que é velho e ao que é novo
e ao deslumbre e a saudade.

Cheiram a luz e a brilhos
suas colinas que o sol doira,
Raiada de becos, trilhos,
escadinhas, largos, travessas...
Há em si tanto mistério,
traz nela tantas promessas.

Esta urbe miscigenada,
que é só igual a si própria
e de todo o mundo arraçada,
Tem a volúpia da mulata,
a invulgaridade mourisca,
e a finura duma alva nata.

Respira-se o Fado nas tabernas
Com essa brandura e a tristeza
de que são feitas as coisas ternas.
Duas pontes, que são suas pernas,
atravessam, compridas, o rio
em dobrado abraço... Tão fraternas!

Cidade de minhas fantasias,
aqui me encontro e me perco nela
e nas suas idiossincrasias...
E o colorido do casario,
alegre adorno de sua face,
tinge as telas de quem pinta o rio.

Que outra cidade, senão a Branca?
Esta Olissipo que me agarrou
e me pôs no coração uma tranca...
E o romance que no seu céu voa
carrega o ar de dez mil odores:
E cheira bem, que cheira a Lisboa.

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Comentários

Muito lindo! Gostei!

Abraços!