Pela penumbra do tempo

Pela penumbra do tempo entra esta solidão
Tão prenhe, tão convergente
Terna e grácil a manhã descerra a lápide a cada
Luminescência quase estridente
Aventura-se dentro das fragrâncias daquela brisa
Além esvoaçando tão imponente
 
Pela penumbra do tempo todas as horas decoram a
Lápide onde repousa um eco comovente
Assim se espreguiça a vida tatuada com gemidos e
Gargalhadas felizes e efervescentes
Assim se sorve dos dias uma molécula de paz sussurrando
Mui maviosamente sorridente
 
Pela penumbra do tempo flutuam réplicas da memória
Ainda saudosa e conivente
Provocam estrondosos arrepios ao silêncio que flui
Fluidificante sereno e transparente
Fecundam na poesia toda a semântica latente no lascivo
Rascunho de palavras indigentes
 
FC
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