Verão

Deixe que o Sol de hoje queime tudo!

Refrate-se nos vidros

E vibre suas ondas de calor no asfalto

Que escolhemos para nos aprisionar

Numa irreal sensação de conforto

De cidade grande, moderna, chique…

 

Sol, arda!

Mostre-nos tua força!

Torna insuportável nossa vontade,

Nossa imensa vontade de fugir…

Nossa terrível covardia

Que nos torna viciados e pobres

E insanos;

Torra nossa última vontade de pensar!

 

Deixe que o calor sufoque!

Quem sabe dessa agonia

Floresça, como num cacto,

Um alento qualquer

Que num ímpeto coletivo de sobrevivência

Gere um pouco de inteligência

Que consiga transformar

Nosso nada restante

Num fértil alguma coisa?

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