Geral

Carta regia de transição

É este o mel que impregna a colmeia
É minha dor se virando com o rebanho
Qual destino há para este universo doce protegido pela K47?
Ralando no pasto
É sempre o mesmo translado
Ao abatedouro

Tem boi ruminando
Uma saudade apertada
Um choque de realidade atual
Uma dor demasiada
É tanto passatempo
A maioria não se conhece no trem-bala
A fé é minha desalinhada
É como um calçado que não
Sabe distinguir os passos

Tenho sangue

Não provoca meu inferno, não!
Nem quero revelar meu telhado
O mínimo é meu
Os átomos também
Todas as minhas lágrimas
Estão enrustidas
O final do arco-íris
Não beneficia ninguém
Quero viver sem esta cantiga
Tenho sangue também

EU te dou a paz
Na crise da guerra
O sal da Terra
Não temperou este negócio
Todo dia ele cria mais um sócio

Teorema

Escurece
parece que não tem
efeito à prece
sobre o templo de papel

Amanhece
parece que não tem
efeito o flash
na ansiedade pelas fotos
de imagens irrequietas

Entardeceu
parece não
tem mais efeito todo
sinônimo para amar
em moldes de pai e mãe
no futuro, de uma só carne
mesmos dons praticar

A melancolia produz muitos frutos
felicidade parece não viver mais
mas deixa eu me livrar
da sangria
de alguns de seus frutos

Al dente

Al dente, prefiro o meu macarrão
o queijo é personagem principal e quase unânime
a mesa é quase perfeita
de famílias felizes, é às vezes hipócrita
a fome, sim, companheira e guerreira ancestral
mesmo acreditando que estou seguindo o cardápio da OMS
ainda está faltando pão por aqui

Repetição

O que não repito
não pode ser reeditado
como vivem os vivos
com esse ar saturado?
talvez um leque invisível
retirando o ar contaminado!
tenho lembranças de vidro
que não desejam ser interpretados
a saudade vem toda semana
visitar este triste, coitado
o que mais se repete é a imagem de um quarto
entre tantas bugigangas
e ainda desconfortável!
Standard alterado pelo tempo
coisas fantásticas no passado
tenho tino pela esperança
que verei coisas menos triste
menos irregulares

Chove sem parar

Chove sem parar
No canteiro de obras do desperdício humano
Me viro, de qualquer jeito, em qualquer nação
Nem na pele sou perfeito
Na enigmática introspecção
Todos os genes contidos, fiel modelo
Primeiro a Eva e o seu grande amor vitalício
Tantas contas paradas
Tanta fome sem solução
Tem favela com mais censura
Morte, morte, morte... mais solidão
Tem nobre que não abre seu portão.
Protetor do seu imposto
Abrem seus leques para amenizar o calor
Tem comida importada para pets
Vem a morte...

Mais um dia

Vibrante foi esta catequese
Doutrinar os que não mereciam
Serem contaminados pelo espelho?
Perderam suas imagens
Tem muita gente boa, mas o que é bondade ?
Tem Deus diferente da caridade?
Quantos deuses há nesta austeridade

E de que são constituídos os índios?
Que sensação transmite o fim da fila?
Só tem progresso quem a desafia !
Caminha pelo amor, só quem o dissemina!
Cuidado, criança, que a vida não te conduza por estes reinos
Que se dizem ser santos

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