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Geral

Eu odeio o conhecimento

Eu odeio o conhecimento.

Maldita Eva saciadora da fome,
O fruto mais amargo: a promiscuidade.
Promíscua porque traiu o senhor.
Provou o que não deveria,
Pois agora, a humanidade se nauseia.
Vomita contradições do entendimento,
Somos regurgitos de ideias difusas.
Certo, errado, bem e mal, bonito e feio;
Todo conhecimento é um veneno,
Nossa cauda é o chocalho da cascavel
E as presas, são os livros.

RETOMANDO O RUMO

 

 

 

reler a luz

provisória dos esboços

como se apura

o pus

nas feridas das trevas

-paisagens difíceis

entre cipós revoltos

(como ninho de najas)

a confundir

o mérito desses versos

com incontestes

desvios de rumo

em que o poeta

se supera e retoma

o mérito

de não recuar

à sua pretensão

de esteta de palavras

e pacato artesão  

 

 

 

 

 

 

 

 

ISENÇÃO

 

 

 

no solo

           soterra-se toda

           edificação

 

na orla do mar

           só há erosão

 

no ar paira apenas

            a vocação do voo

 

-por que tem que ser assim

  se se requer somente isenção?

 

 

No dia em que eu nasci

No dia em que eu nasci 

O mundo não parou 

O mundo nunca para 

 

No dia em que eu nasci

Foi feriado 

Não nevou 

Nem fez calor 

Só o meu coração roto aqueceu o coração da minha mãe 

 

No dia em que eu nasci

Não nasci só

Nasceu uma mae, o medo e a coragem 

 

Desde esse dia, sei que não estou sozinha 

Teopoesia

Um minuto sem escrever
É como um sono perene,
Pesadelo em que morrer
É estar sob o verso solene,
Os filósofos acordaram
E abriram a única fenda,
Iluminando e mataram
O sacrifício da oferenda.
Ritos para Deus,
No qual se glorifica
O último sagrado adeus,
Despedindo-se da poesia.

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