Rio de Maio

À dor neguei tua partida
 
quando partiste
 
e eu
 
sem esperança
 
ao tempo estanquei qualquer
 
queixume por te ter
 
na minha ausência
 
quando despertámos mais confidentes
 
aposentando qualquer felicidade
 
baralhada pelo destino
 
inevitável,fugaz
 
camuflado de tanta criatividade

Na tua ilharga

Embrenho-me hoje
 
perto da nudez madrugadora
 
roubando todas as horas
 
que me deixaste no lençol
 
da noite
 
tilintando provocante
 
contentando-me inteiramente
 
nesta musicalidade tão aliciadora
 
e longamente gratificante
 
 
– Deleito-me despido ali à beirinha
 
onde me emprestas tuas vertigens

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