Equilíbrio

Equilíbrio
 
Depois de algum tempo 
acabamos aprendendo
a diferença, a subtil diferença
mesmo quem não mereça 
entre dar a mão por tudo
mas não deixar a alma acorrentar
aprendemos a contingência
nos ditames do coração
tantas vezes indeciso e açoitado
aprendemos a construir em equilibrio
todas as nossas palavras impulsivas 
porque a estatura do amanhã
é incerta demais

Passagem do tempo

Passagem do tempo
 
É apenas assim
quando estou a salvo
que me descubro e me guardo
eu tudo cobro
por um punhado de silêncios
enfim me modelo e até
de certo modo
eu dou tudo o que sou,
gradualmente
eu dito delicadamente a fé em minha poesia
neste imenso mar que jaz em agonia
onde tudo ali fica escrito num manuscrito
que por cortesia
de um ouvido atento

Caminhando pela chuva

Caminhando pela chuva
 
Caiem pálidas agora
outras minhas lágrimas
suadas pela esgrima da vida
já nem disfarsadas são
mas sempre imploradas e carentes
como esta poesia insuficiente
já sem rima absolutamente
reabre-se apenas mais uma ferida
que agora não sara nunca
e se encobre exacta
pelos suspiros de um beijo
cheio de graça
quando contigo feliz
caminho pela chuva
FC

Quando um homem sonha

Quando um homem sonha
 
Reverenciam-se mágoas
jamais se apagam as verdades
intrínsecas que reflectem
um gesto de plena humanidade
porque estão inscritas na génese
de um discreto grau de piedade
mesmo que aquela hora
de eternidade
se esvazie num segundo
ela é propriedade de alguem
mesmo que as queiramos esquecer
estão ali,fervilhando delicadamente
em cada abraço de generosidade

Desnuda-me

Desnuda-me
 
Esta nossa vontade
imperfeita de tanto
querer,
acaricia-me
prenhe de lealdade,
para que nunca se despreze
esta amizade
nossa beleza no vigôr das vaidades
desflora-me como quem
caminhando à beira do gotejar
se implanta marginal
e  nunca deixa sequer de me cortejar
desnuda-me
fiel e casta
entre dois sopros de
vida que nunca te resista

As rosas do meu quintal

Os campos verdes divididos pela agricultura onde havia de tudo; batatas, melancias, morangos e árvores de fruto, laranjeiras, pessegueiros e maçãs. E do outro lado a natureza selvagem onde as plantas silvestres dominavam o campo de perfume e cores variadas. Onde as abelhas batiam as asas com força para se secarem da chuva que tinha caído, os ventos fortes dominavam os prados, mas elas buscavam o precioso pólen das plantas, as formigas trabalhavam fortemente para abastecer as suas tocas, para no Outono permanecerem confortáveis com as suas famílias.

Pedra nua

 

Pedra nua

 

Somos pedras sózinhas, nuas...

desesperadamente graníticas

ruímos penosos ladeira abaixo

ofuscados pelo brilho imenso

que se gera no ambar desta  dureza

infatigável

irredimível no tempo

e na lava que se derrama

pelas encostas da minha impaciência

referenciada em todo o pensamento

criativo e benevolente

de um quatzo tão puro e cristalino

que se ergue brilhando imenso

no xisto derradeiro da nossa existência

FC

Conversa com meu filho

Poesia conversa com meu filho

Oi Filho….

Fala algo….a mãe está meio agoniada por tanta dúvida minha mente está sendo assaltada….

Como quem espera em medos de coragem camuflada

Envoltura num barulho louco desta máquina suga pó endiabrada ….

Ponho a nu ansiedades de antiguidade descarada….

Em anseios de mil mensagens aguardadas…. que jamais chegarão pois ao mar foram lançadas…..

E quem sabe por botes recolhidas….

Ancoradas a um imenso coração tão maternal…..

Que em alegre batida as vai lendo

Serenidade

Serenidade
 
Com ímpeto indomável,
sigo os trilhos perdidos
sem vaidades ou desvarios
pois minha coragem contida
é do tamando e por medida
tão desmedida
vai além, subindo  montanhas
temerosa e conversa
alimentando tanta fé
como a semente de mostarda
pequena , mas uma vez germinada 
se ergue qual árvore frondosa abençoada
move até montanhas e obstáculos intransponíveis

Madrugadas e Manhas

Dias noites Madrugadas manhas Tantos anoiteceres de alma amanhecida Sonhos de movimento em giratório rodopio Devaneios de juvialidade coerente palpitante Dialogos de perfumadas palavras de florais odores Belas muralhas revestidas de um musgo aveludado e verdejante guardam em altivos mirantes sombreados palavras secretas e sequestradas Passaros poisam em lindos ramos de adornadas arvores com flôres de laranjeira Cantam uma tal malodia que nos desperta doce em mansidão No coração entendemos o seu significado Mistérios entre natureza e alma vão sendo desvendados É porem o vento que em suave br

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