O dom da palavra

Penitência
 
Temos de conversar no silencio
aprimorarmo-nos sem reticências
ouvir suas vozes
e cheios de intento
daremos anuência
às necessidade prementes
de sentirmos todos
a mudança que se deu ao poente
tão indolente
quando calou minha eloquência
e sem proezas
no dom das palavras
porque todas são belas
ímpares, pujantes, latentes
até mesmo quando na despedida

Falar com Deus

Falar com Deus...
 
Não tenho vergonha de falar em Deus
nunca tive
e sei o quanto Ele representa
para mim,
pois não fosse minha fé e crença
firmada numa reverência
sem tamanho nem medida,
algemadas em toda a indulgência
jamais me encantaria com as borboletas,
o sol, o mar , as estrelas
e a vontade tamanha que tenho 
de viver desesperadamente !
FC

Minha sinfonia

Minha sinfonia
 
E…se algum dia,
por alguém te sentires carente,
mesmo que detida ou irreverente 
com o olhar perdido na imensidão 
de um entardecer deferente
escuta esta bela canção 
tocada na sinfonia d ’um SOL maior, 
então alguém dirá
que és tu LÁ a mais bela estrela poente,
porque meus olhos de SI
ainda se lembram do segredo contigo 
num sustenido beijo sem DÓ 
que tanto de MI se desprende

Insónia

Insónia
 
As vezes perdido nas insónias
incrustadas no meu ser
quando as respostas fluem
sem contextos lineares
pergunto-me, contesto-me
as resposta sei até de cór, 
estão estampadas na distância 
e frieza dos sorrisos da dor
que me afligem todos os dias
e quando baixo meus abraços,
na indiferença dos sussurros
matinais, entrego-me então
decidido procurando mais que vitórias 
possíveis

Idade pra ser feliz

Idade pra ser feliz
 
Marcam-se as épocas
definem-se as eras
atravessamos desertos imensos na vida
planeando na fase da idade dourada
o ser que somos
apaixonadamente íntegros
reverenc iando os prazeres castos
sem preconceitos adquiridos,
apenas iluminando nossas
semelhanças entregues aos sabores 
de todos os amores 
sem cobardias nem pudores;
Estamos na idade de ser felizes

Melancolia muda

Sons de envolvente melancolia em doces diálogos de claras janelas de vista chuvosa….

.Quietude de brisa húmida e calma de luz espelhada esplendorosa é vista em modo de beleza clássica e singela…..

Move-se numa dança em sombras de suave de elegância….

São mudas as ausentes meiguices tão presentes……

Carinhos de constante pontualidade atrasada correm pairando sobre nuvens de alvo branco carregado….

Tranquilas são agora as mansas tempestades de um surdo trovejar açucarado……

Aqui jaz o que um dia nós fomos

Paredes descascadas invadidas pela Noite vadia
Que se esconde e chora nos cantos da casa que outrora fora sadia.
Caíram as lascas de madeira velha e o folheado enferme,
Como lágrimas secas do Vento que suspira na colina
Sobre a casa que lá na encosta fica
E que tragicamente viu ser traçada a sua sina.
Por castigo dos Deuses ou mão dos Anjos,
Assim foi determinado o nosso Fado
Condenados à fatalidade cruel
De não poder viver o amor que nos fora prematuramente retirado.
Aqui jaz a casa que então se mantinha erguida,

Vento

Porque vais e continuas a voltar, vento?
Contigo trazes tudo,
E tudo de toda a parte,
Mas tudo é tanto,
Tudo é avassalador.
Pergunto-me quando vens,
As viagens que percorres não te pesam já na idade?
Pois eu já deixei de viajar,
As rugas caíram sobre mim como peso morto
E, por enquanto, só me restam as memórias de onde estive.
Não sei quanto tempo tenho
Até a idade começar a deturpar essas memórias
E transformá-las em visões turvas e confusas.
Vento, esse frio que é teu,
Não mo transmitas.

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