O Arcano da Coruja

Ouviu-se falar em noite cinzenta
Do vôo, como num risco! da coruja...
Certo animal traz notícias sedentas!
Ainda mais sobre a fortíssima chuva
 
Vem num tom de augúrio exuberante!...
Linda ave dos convés da natureza viva
Que por trás de todo o seu charme elegante
Pousa daqui ali! Aquém e além, definitiva!
 
- Sinal da forte chuva é que não deve ser!
E aquelas asas leves e rápidas da fiel coruja

Posto de Saúde da Comunidade

Oito horas da manhã de inverno
No Posto de Saúde da comunidade
Pessoas desenganadas na desigualdade
(No outro lado da desigualdade!)
Enumeradas no declínio da piedade
Ali, como exemplares da vida esgotada!
Pessoas! Sem papel para mais nada...
Engodadas na teia de mentiras sociais
Disputando o seu dia-a-dia distante da grande cidade
 
... Pessoas-personagens ...
 
No enredo. Só. Em busca de solidariedade...

Um Nefelibato Brasileiro

Eu sou simbólico!
No meu campo de visão surge um Jogo de Sinais sórdidos
Testes para mim...
Como a hermética Torre de Marfim!
Troféu desse Jogo de Animais
Dado à quem se chega no pódio
E no fim
 
De vez em quando acordo assim!
Quero ver o erro errado e procuro no vago...
Transformo substantivos comuns em absolutos
Quero ver o erro errado e cavoco no raso.
 
Sou hoje revolucionário de meu próprio consciente!...

Poema Das Gritarias

Uma xícara de chá!...
Fumaças-cigarros-verdes
Na tarde-luz-do-meu-dia
Lembrei de toda uma vida.
 
(Mas nada superaria
Aquele poema escrito
No meio das gritarias!)
 
Olhava para a porta
Aquela luz-forte-do-dia...
De presente natureza morta
Eu... Eu olhava para a porta
E a porta não me sorria!...
 
Esse caos sujo e lotado
Envolto em muita agonia

Os Grilos

Matagal fechado
Noite de verão
O som dos insetos
O som dos enganados
Matagal fechado
Fronte à ilusão!...
Rompendo silêncios
Criando renegados.
 
Cri cri cri cri
E morrem todos.
Todos inversos!
Todos viram passado.
 
Mundo enfaixado
Mundo em contusão
Martírio defasado
Sangue em combustão. 
Matagal fechado
O golpe da Visão!...

A Pocema do Pessimismo

Gênios fazem coisas geniais
Eu, amigos, não faço nada demais!
As palavras já existiam muito antes de mim
Pelo meu livre e amalucado alvedrio sem fim
Eu apenas dou-lhes formas grupais. 
 
Nada comparado à algo genial
(Não domino a arte da hidromancia.)
Eu não sei fazer mais nada, nada!
(Mal e porcamente faço poesia.)
 
Poetas morreram antes de mim
Mas isso não faz-me igual à eles.
Não obstante à minha inteligência

Jornal Da Nossa Vida

Um dia, velhinho,
Somente no poder
Da recordação
Lerás um jornalzinho...
Antigo e repleto
De reportagens
De sorrisos
De viagens (à serviço)
De lugares
De pessoas
De palavras diversas!...
 
Verás o quão importante fora
Tudo isso!...
Folhearás suas páginas, com a lembrança
E reviverás deslumbre por deslumbre
De cada uma das suas histórias e momentos...
Bons e ruins

Entendeu? (Eu É Que Não Vou Te Explicar!)

Politicamente correto?
É de rir ou de chorar?!...
Peço licença poética.
Sou de mudar à cada metro
Sou de variar por cada métrica
Faço verso no décimo andar.
 
Torto num erro reto
Carimbei meu polegar!
Peço licença poética. 
Sou de valorizar cada feto (afeto)
Da mulher cruel e cética
E da noiva do décimo altar.
 
Melhor, 
Não vou mudar nada de lugar.

Hoje Sim!

Hoje sim!
Hoje ela passou a tarde
Toda agarrada em mim!...
 
Mesmo ar!
Debaixo dos cobertores
Longe de todas as dores
Mesmo ar!
Sim...
Passou o dia agarrada em mim!
 
Não, eu não estava em mim!
Estava em outra dimensão:
Uma confusão!
(De mim... Dela...)
Eu... Ela... Beijos, olhares
Que ela faz com profissão...
Tudo isso, num colchão

A Linha do Tempo

A Linha do Tempo é um castelo..
Tudo coexistindo em paralelo
E a Terra no Tempo é um farelo.
 
Das montanhas do México
Às esculturas de terracota Chinesas
Você, o Irlandês, o Alemão, o Russo e a Japonesa...
Do camelo, no deserto do Saara
Ao tecido de plumas da monarca inglesa...
 
A Linha do Tempo é uma salada de frutas
Sem direito à sobremesa.
 
24 . 06 . 2014
20 . 07 . 2014

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