Peso Morto
Autor: Renato Laia on Tuesday, 22 July 2014Há dias em que
mais valia
cair
morto.
Para
não mais
levantar.
Mas não tenho
onde possa
tombar
morto,
Onde possa
enfim
deitar.
Há dias em que
mais valia
cair
morto.
Para
não mais
levantar.
Mas não tenho
onde possa
tombar
morto,
Onde possa
enfim
deitar.
Estou preso.
Sei que em liberdade
Mas uma tão triste
Que, vinda p'ra ficar persiste
Em me camuflar a verdade.
Que seja então ignorante
Esta não longa passagem,
Seja somente relevante
De todas, a minha melhor miragem.
Porque não sei o que sou
Nem prevejo quem quererei
Persigo o passado que passou
De vida real que abdiquei.
E é isto, do tudo, o que sei
Acerca deste fracasso
Que outrora foi rei.
E no dia em que menos viva
O assombro desta passagem
Amo demais as minhas palavras!
O poema ri-me na cara!
Solto-o ao vento da madrugada
e limpo a cara molhada
A tua doce sedução
Sussurro-te apaixonado ao ouvido
Ah! Se eu fosse de verdade…
Se eu, de facto, fosse, poeta de verdade
Escreveria sobre a minha épica gente
Gritaria a todo o mundo, grandemente
Tudo aquilo que em mim choro de saudade
Diálogo com Fernando Pessoa
Mote
Quanto do sal que há no mar
São lágrimas de Portugal?
Voltas
Pessoa li o teu versar
Da quantidade de sal
Que há nas águas do mar.
Um pouco era natural
Um pouco era lacrimejar
Era dor, saudade e tal.
Quanto do sal que há no mar
São lágrimas de Portugal?
Porque é preciso lembrar
Do negro a chorar na nau.
Da viúva em pranto a fitar
Seu homem arrancado do local.
Podemos então concordar
Nesta questão crucial