Desnascer

Como me cansa o cansaço
de estar cansado apenas;
Este abraço que te aperta
e não quer que gemas.

O mundo está perdido,
gemebundo e desiludido;
está afectado
pelo bom grado profundo
daqueles que se deixam afectar por tudo.
Afeta-me o sono das sociedades
e deixo-me, como eles, dormitar...
Estou ciente, mas demasiado cansado
para me fazer presente
e influenciar.

Deixo que me influenciem;
não sou mais que ninguém,
neste nada em que todos são um tudo mais que alguém.

amo-te

Na colina sobranceira de tua casa, aí me encontro. Eu, o vento, que geme na negra noite. Mesmo junto a ti, tu não me vês, e é onde passo o dia-a-dia. Esse teu trágico olhar, a olhar-me e sem me ver. Ai quem me dera ser como tu, para me poderes ver, e para te poder murmurar a mais suave das palavras, "AMO-TE".

esperança

Rodeado apenas pelo vento, vagueava pelas ruas da cidade. Em ambos os meus ouvidos permanecia a tua voz bradando convictamente sem cessar a palavra " NÃO ".
Uma imagem da tua sensual face, distorcida pelo tempo, iluminava o meu espírito que no seu mais íntimo ainda possuí uma débil esperança.

sonho

E no esplendor dum entardecer de verão, altas espigas de oiro ardente, reflectem a sensualidade da tua face, num dia ardente à beira-mar.
No sonho do momento, imaginas amplos voos sobre a trágica realidade que nos foi destinada.
E os teus olhos rasos de água, parecem lagos, onde cisnes brancos se banham, por entre a neblina de um amanhecer.

REPETIÇÃO EXISTENCIAL...

Já pensei muito, na vida,
hoje meu pensar parou,
pare de pensar, por favor,
pensar dispersa o sabor.

Já falei muito, na vida,
hoje meu falar parou,
pare de falar, por favor,
falar dispersa o amor.

Já calei muito, na vida,
hoje meu calar parou,
pare de calar, por favor,
calar dispersa o que for.

Já escrevi muito, na vida,
hoje meu escrever parou,
pare de escrever, por favor,
escrever dispersa o calor.

Sete pecados capitais

                                                       Sete pecados capitais

 

 

 

 

 

Sou um poeta sem nome

Sem nome e sem destino ... por isso não trilho caminho

Vagueio um olhar apenas para vaguear o pensamento

E por mais que contemple

Não me sinto indiferente

Ao que contemplo e sorvo avidamente
Sou ávido e sinto gula

De ver ... sentir e degustar 

O sabor do contentamento

Ao vislumbrar o teatro dos sonhos do pensamento.

 

 

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