cambaleio
Autor: arresiur on Thursday, 17 July 2014Deambulo pelas ruas... sonhos perdidos, ilusões desfeitas. Há um travo amargo no ar da noite. Breve a vila despertará e eu continuarei só.
Deambulo pelas ruas... sonhos perdidos, ilusões desfeitas. Há um travo amargo no ar da noite. Breve a vila despertará e eu continuarei só.
Um fracasso
Interminável.
Temo-o e adormeço,
Tranquila.
Pouco sei, ultrapassa-me
Todo o saber apesar de o querer
No ínfimo ser que sou.
Diria-o meu Cabo das Tormentas
Nos dias que menos maus
Terminam ainda de dia.
E vou crendo
Na ignorância sumida.
Tanto quanto o cego querer
Abrir os olhos e ver. E chorar,
Chorar porque é a hora!
O sexo tal e qual ele acontece na intimidade.
Por mais palavras proferidas
Por mais vozes altas ecoadas
Nada seca as fundas feridas
criadas por línguas afiadas
Nada bloqueia a maldade
A agressão por palavras
Que violam a mentalidade
e fazem das ações, escravas
A cobardia de bater
Parte primeiro de gritar
Do falar para enfurecer
Antes de tudo desgraçar
Doméstico apenas o nome
Pois é violência descarada
De quem usa o cognome
“Covarde de mão fechada”
Se eu pudesse lavar
os meus beijos
Nas lágrimas do teu gostar
Eu sorrindo o faria
E não quereria
Fazer mais do que isso
Até o teu chorar, me beijar
Quis fugir do destino
Escondendo-me opaco
Na alma de um menino
Mas o velho é macaco!
Sabotei o tempo imuto
Com bombas de ilusão
Mas o velho é astuto!
E atirou-me a desilusão
Cortei amarras ao mundo
Tentando fluir na maré
O velho viu-me do fundo
Puxou-me, perdi o meu pé
Estava quase afogado
Cheio de fel borbulhando
Mas o velho é danado!
E fez-me viver chorando
Notícia na Folha de São Paulo do livro.