DO QUE LHE SUSSURRA MEU SILÊNCIO

Em meus sentidos mais ocultos lhe proponho algo de mais

Algo de rosa a florescer em meio à densa luz da lua

Algo tão grande como a terra a vislumbrar a voz que é tua

E que com ímpar atitude canta valsas naturais

 

Em minha forma de criar a minha filha que flutua

Com meus ditos inaudíveis em verdades irreais

A tua imagem é concreta em tuas vertigens cereais

Que florescem e amaduram entre a tua pele nua

 

Se fizesse eu lhe tomasse por um copo de veneno

Que dilata a minha forma, mas dá força e dá vigor

cigarra

CIGARRA

Hoje uma cigarra entrou pela minha janela.
Entrou desesperada!
Bateu no vidro.
Bateu na Lâmpada.
E foi se aquetar na minha estante.
Que incoerência!
Começou logo a cantar.
Cigarra seja bem vinda.
É lindo seu cantar.
É bom ter você de companhia.
Mas tenho que devolvê-la ao seu habitat.

Nazaré Varella

DA ETERNA BUSCA DE TI ALÉM DE TI

Busco o teu olhar em cada flor de girassol
Pelas gramas desse mundo e pelas facas desse fel
Nas centelhas de poesia doce e pura como o mel
Em uma valsa de lareira do canto de um rouxinol

Busco tuas certezas nos pesares dessa vida
Nas forças de um destino e nas fraquezas da vontade
No vazio de teu subúrbio, na amplidão de tua cidade
Ou na maçã tão rica e doce que não fora oferecida

Alma alforriada

Da vida que não mais presa está

flui a certeza, que ao cativeiro

não, não aceitará retornar.

 

É  o sopro que move os mundos

de movimentos serenos e profundos,

regi a vida do antigo moribundo.

 

Com o bater manso das asas

o desejo do coração

é a arma empunhada.

 

Voeje alma alforriada,

usufrua do prazer

de o seu sonho conhecer.

 

Enide Santos 10/04/14

O sol do amanhã

 

O sol do amanhã

Antecipadamente brilha

Ressaltando que o ontem o criou

Derramando laços, no hoje que não findou.

 

Do céu de ontem

Hoje apenas resta a tinta seca

Da qual a lembrança do olhar

Nunca, nunca deixara o tempo levar.

 

Enquanto que o dia de hoje

Pleno se mantém

Arrastando nos braços

A certeza do dia que vem.

 

Enide Santos 12/04/14

Ás vezes a saudade brinca comigo

 

 

Ás vezes a saudade brinca comigo.

Creio que é para ajudar-me a suporta-la.

Sei, ela precisa mesmo de mim.

 

Necessita progredir...

Carece de ser marcante e absoluta.

Quer ser a melhor saudade de todas as saudades.

 

Ah! E eu fico aqui, entregue aos seus caprichos,

Apenas soltando alguns gemidos perdidos entre densos suspiros.

Ao mesmo tempo em que algumas lágrimas,

brincam de banharem um sorrisos que escapuliu.

 

Libertas

Sinto que as hordas dos homens da direita
seguram os meus versos e tentam calar os meus desejos.
São os velhos censores da nova Ditadura
que em sua medíocre patrulha
buscam a nós outros, os tolos insanos
que abriram a boceta de Pandora
com a dúbia esperança de arautos da bonança.

Doravante

       DORAVANTE

 

Doravante

Vou fingir-me ignorante

Vou olhar e só ver o que eu quiser.

E, nesta hipocrisia de  estar, 

Vou ser só mais uma entre milhares.

Doravante

Vou sentir outros sentidos,

Vou ser alheia e distante

Vou ser cega e impenetrável,

Inútil e imprestável.

Doravante

Vou sorrir fingidamente

Calar-me cobardemente.

E, nessa versatilidade arrepiante, 

Mudarei de faceta num instante !

E depois,

Neste estado entediante

Vou fitar-me bem de frente

Pensem as sétimas palavras

Quem diz como as coisas são?
Estou a questionar-me
devido a ilusão
de estarem sempre a pressionar-me.

Esta ilusão faz com que fique farto;
Tanta pressão
e, depois, quando passo para o acto,
uma desilusão.

Querem que, também, seja como vós?
De ser por ser,
até viver esperando que o deus atroz
me venha comer?

É assim que zelam pelo futuro?
Ver quem somos
se desvanecer no escuro
e, ainda, contribuir para oprimir
o futuro que fomos?

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