ANOITECENDO EM LÁGRIMAS

Já não tinha o sol poisando em desmaio
No horizonte marinho;
Nem o tremor do derradeiro raio
A alumiar meu ninho!

A brisa fagueira com seus perfumes
Também não murmurou...
No céu, a chusma de mil vaga-lumes
Tanta treva apagou.

Morto era o canto nos altos coqueiros,
E da vida as cordas
Calaram-se ouvindo os loucos pampeiros,
Suas medonhas hordas.

Tudo era triste na praia deserta,
Como em meu coração!
O mundo era hostil, a vida era incerta
Só havia ilusão.

TEU CAMINHO

TEU CAMINHO

QUASE FILHA MINHA

QUE TRAZ CONSIGO

A REALEZA AFRICANA

EM CADA GESTO, EM CADA OLHAR.

TE LEMBRO CRIANÇA, INOCENTE,

ENTRANDO SEM LICENÇA EM MINHA MENTE

E CAMINHANDO ATRAVÉS DOS TEMPOS

RUMO À PRÓPRIA VIDA.

BUSCA AGORA OS EXEMPLOS

QUE SE APRESENTARAM EM TEU CAMINHO,

MAS NÃO ME DEIXE FICAR SOZINHO

NO TEU PASSADO, ESQUECIDO.

E ME LEVA CONTIGO, MESMO EM PENSAMENTO.

PARTICIPANDO DE CADA MOMENTO,

NÃO IMPORTA SE ALEGRE OU TRISTE.

Última janela de abril

Tenho em minha boca
O gosto da alma de teu corpo,
Em meus olhos,
A sede que tu atentas a olhar.
O hoje do daqui mil anos
Não é mais o mesmo.
Pegamos o futuro combalido fraco vacilante,
Deitamo-lo desmaiado na nossa cama “desnomeada” presente.

O universo fugiu do seu verso
Nada de além
Quando peles sentem gozos feito leite,
Feito nódoa derramada pelas plantas feridas na casca,
Com gosto de cheiro das flores de laranjeiras
Ampulhetadas no sereno branco da noiva manhã.

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