VAGABUNDOS

 

Irmão miserável! Quantas vigílias atrozes eu lhe devo! “Eu não me entregava

com fervor a este negócio. Caçoava de sua doença. Por minha culpa

voltaríamos ao exílio, à escravidão”. Ele me achava um pé frio, e de uma

inocência bizarra demais, e adicionava razões inquietantes.

O mundo não vai acabar

 

 Eu tenho certeza que o mundo não vai se acabar.

Por isso vem...

Corre aos meus braços

Vamos o amor sublimar. 

Sob a luz dardejante das estrelas...

Deitados sobre a relva da noite de natal

 Numa entrega profunda, frenética...

O mundo não vai se acabar. 

Aproveitemos o máximo de tudo.

Aqui só há eu e você

Lenha e fogo,

Não vai acabar o mundo. 

Ainda viveremos á última ruga da epiderme.

Os amantes não morrem para o mundo

O mundo não termina pela boca de um mortal,

Noite

 

Filete de carne entre os dentes.
Pijama molhado de vinho.
Cigarro no toco.
Noite de chuva.
Sem nada de novo.
O vinho desce seco pela garganta.
Aliciando o cigarro.
Os dentes agonizam.
Pedem paz e lábios.
Lábios alheios.
Usados.
Ressecados.

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