Segredos

Deixa-me falar-te agora dos segredos

Que carrego.

Vou falar-te sobre a transmutação

Das plantas.

Do trigo em oiro e do lírios em diamantes.

Vou descrever-te o nome que o luar

Trás à solidão da memória

E o calor das mãos feitas sol.

Aqui, neste lugar onde o incenso

Se liberta da vida, o mar

Não para de se fazer sentir

Em cada célula que se descobre

Em nós.

E de mãos enlaçadas

Caminhamos de cabeça erguida

Na procura do lugar que um dia

Desenhámos.

 

Solidão

Viver na solidão de um mundo imaginário,
Que é meu e de mais ninguém,
Nas profundezas de um aquário,
Onde não sou tratada com desdém.

Lá sou um ser minúsculo e mitológico,
Onde tudo é novo e pronto a explorar,
Para os outros, pode não ser lógico,
Mas criei-o para ter onde me refugiar.

Refugiar-me deste mundo sem união,
Onde vive cada um por si, estão a pisar
E não querem saber quem está no chão,
O que interessa é que eles vão vingar!

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