Umbra
Autor: Egas de Souza on Tuesday, 19 August 2025 Porque continua a penada
Alma, perdida,
A regar um prado
Morto,
Extinto de cores?
Que razão da alma é
Para não largar
Da dor?
O que salva
É a sombra,
Volta e vai solene e bondosa.
Sombra da cor
De uma flor do Amor.
A flor vive, mesmo que morta,
Já que cor é o seu ardor,
E a minha esperança por a ver outra vez
É senão penumbra do meu coração
Em sonhos de saudade.
Espírito de porco
Autor: WILSON CORDEIRO... on Friday, 15 August 2025
Meio nado antes de se afogar
mas para quem quer viver
pela última balsa
aprenda a Viana valsar
qual é a cor da tua imagem?
Camaleão ao massacre!
Que não disfarça o seu punhal
faz selvageria em contra ataque
a minha religião continua
a prova dê saque
mas tu, presta atenção
e caridade
Do pó veio o homem
E do carma, o selvagem?
Não consigo entender esse amor
ou pensamentos retráteis
e cores fracas em tatuagens
cicatriz
Autor: Reginaldo sousa on Thursday, 14 August 2025Estive em versos a lhe procurar
as ruas a noite são deserta
não te escuto em são Paulo
se possível um grito a lhe achar
teu corpo espalhado entre rosas vermelhas
doce é teu perfume
louca na noite
saio a lhe procurar
novamente a lhe sentir
deixou marcas
feridas abertas
posso ao menos saber a que horas voce volta
ou não
posso saber em que bar esta bebendo
posso fazer companhia
então tá fico a lhe esperar
canções e cicatrizes
esperando o dia amanhecer..
A lisura do tempo
Autor: Frederico De Castro on Tuesday, 12 August 2025Noite de luar encoberto
Autor: Egas de Souza on Sunday, 10 August 2025Numa noite tão obscura e empoeirada,
Almas desoladas fazem casa nos prazeres
Pecadores das velhas ruas de sombrios ruídos
E dramáticos afazeres desgostosos.
Perdido neste inferno tão saboroso,
Inquieto e isolado estou, claustrofóbico,
Já que de tanta gente vagabunda no mundo,
Nenhuma se esforça para entender o vazio.
Mas eis que me vem uma familiaridade,
O olfacto captura uma memória terna,
E no instinto eu atuo, recebendo o presente
De quem decidiu fazer-se alguém a mim.
Lembranças do Ferrorama
Autor: WILSON CORDEIRO... on Friday, 8 August 2025 O tempo colapsou de diversas maneiras:
eu não tive "Ferrorama" na infância
mas percebi que estava entrando na fase das maiores responsabilidades
que não havia mais tempo para brincadeiras
a viagem da vida às vezes é pelos trilhos
outras vezes por estradas áridas e dramas
vou ser ilógico
num espaço de tempo
meteórico
vou trazer instantaneamente quase todas as
ruas asfaltadas de minha infância
prefiro salvar a história até quando o juízo permitir ou pelas
cartas do fantasma do passado
Epitáfio
Autor: Female Rebel on Friday, 8 August 2025Há dias em que meu quarto não tem porta
Não desejo ir para lugar algum
Seria bom ter opção mas não tenho
Às vezes me pego questionando
Será que vou morrer aqui dentro?
Sufocada pelo o que não foi dito
Raramente eu abro a janela
Não me sinto muito confortável com a luz
É brilho demais para os meus olhos cansados