Vítima (Parte I)

Ele é pálido e leve
a camisola não lhe serve
dão 13 aos seus 17
e a alcunha de Esparguete
 
Na agulha cabe o bigode
que impressiona o Selleck
e uma barba de borbulhas
pressiona select
 
Usa as mesmas peúgas
brancas ou blacks
e o mesmo azar com as miúdas
brancas ou blacks
 
Ele não se queixa
ele espera pela geisha
espera pela deixa
no fim, só gagueja

Hoje

Até amanhã,

Até outro dia!

Vou estar lhe esperando,

Preso nesse infinito hoje…

 

Mas você é livre!

Transita entre os sonhos de amanhã

E as lembranças de ontem;

Mas, nem sempre, para no fugidio hoje…

 

Retratos, canções,

Lembranças, palavras…

Fragmentos empoeirados de você

Que ventilam o meu abafado hoje.

 

Lixo

É lixo!

O papel que embala o sabão que me lava,

Que limpa o meu corpo da minha sujeira;

Embalagem vazia apenas. Inútil…

 

O panfleto da propaganda ordinária da rua

Em cujo verso eu rascunho minha poesia…

Lixo! Puro lixo!

 

A garrafa da água que bebo,

Corpo vazio, usado,

Descartável, desprezível!

Lixo!

 

A sacola do mercado…

Que trouxe minha comida…

Agora carrega meus restos!

Jogo na rua; sem pudor, sem gratidão,

Sem consideração…

 

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