Melancolia

Melancolia

 

É muito lindo, o tilintar das folhas

É a sonoplastia nesse silêncio

Nesse vazio constante

São lindas, as nuvens e o céu

São o cenário para a queimada dos órgãos e ossos

É lindo observar os detalhes do mundo

Em meio ao caos interno, vê-se a beleza no externo

A reciprocidade não existe, ou você nunca deu o suficiente para receber de volta

Vontade nunca ficou tão afastada

Ainda é lindo o canto dos pássaros

Mas o amor corrói toda a sua alma

A natureza é sua sensibilidade

Inexistência

Inexistência

 

Quando a sua folha ultrapassa mil palavras por minuto,

Os seus olhos captam mais de trezentas realidades a mais do que é visto,

Os seus ouvidos ensurdecem com palavras mudas

O seu corpo leve, pesa mais de quinhentas toneladas

Seus músculos se retraem para o vazio

Não existe um sentir

São ossos e carniça em decomposição porque aos poucos os brilhantes olhos adormecem

O que antes era um pequeno prazer, hoje descansa com o fantasma de um sorriso passado

A simples fórmula da inexistência

Folia que não para

Folia que não para

 

O coração tá disparado

Ele enlouquece, ele grita

Conta cada segundo pro perigo

Imagina um futuro pra cada resposta

O relógio não para

 

O coração tá disparado

E o medo surge de tudo

A contagem pro pesadelo nunca para

O pessimismo mancha cada sonho e desejo

E o relógio não para

 

O coração tá disparado de novo

E eu me pergunto: será que é o repetir que eu preciso?

Ou eu continuo lutando pelo sim?

O sim se torna utopia e o não segura o coração

Sobre ansiedade acho

Sobre ansiedade acho...

 

Esse texto começou pelo meio, nunca foi possível começar algo pelo início

Quando a caneta está posicionada na mão, a mente já está colocando o ponto final no capítulo

Mas não dá pra se organizar isso

É sempre muito barulho

Presa no silêncio, ela nunca para de funcionar, de criar, de pensar.

É a presença mais solitária estar consigo mesma

Ela grita e ela explode

Ela inventa uma nova vida

Ela esboça os personagens em pessoas que eu amo

Desdeclaração de amor

Desdeclaração de amor

 

Eu sempre tive tudo o que você procurava

O corpo que você procurava

O senso de humor que te fazia chorar de rir

A dedicação e prontidão pra te ver

E o carinho pra estar com você em todos os momentos

Eu poderia ser essa pessoa, mas por ser eu, eu não pude

Eu estraguei tudo por ser eu

Mesmo sendo tudo isso, ainda seria eu

O simples fato de ser eu anulou todas as outras coisas

E tudo isso me fez pensar que talvez eu não fosse realmente essa pessoa

A sobra

A sobra

 

Eu sou a sobra

Quando as pessoas se reúnem, todas que te agradam

Só vejo sorrisos e carinhos

E eu sou a sobra

Que todos olham só quando estão realmente famintos

Ou quando não tem nada melhor pra comer

Nunca a primeira opção

Nunca a mais atraente

Aquela que já foi revirada, revirada e revirada que nem tem mais graça de olhar

Aquela que tem as mesmas misturas junto com o mesmo arroz e feijão

Aquela que já começa a ter uma cor acinzentada

Até eu me considero minha sobra

O generoso esgotado

O generoso esgotado

 

Um dia me disseram que eu doo muito

Eu doo muito porque eu já estou tão vazia que eu não consigo mais sustentar o que eu deveria

Eu doo muito porque é o jeito que eu encontrei de tentar representar o que eu deveria dar

Eu doo muito

Mas eu não dou nada

Eu já não tenho matéria em mim pra te dar

Porque se eu tivesse

Meu amor, eu construiria um outro universo pra te dar

Eu não sei como eu consegui me zerar

Mas até o meu zero é seu

Eu não sei como eu virei pó

Deitado no chão de palha - 2

Deitado no chão de palha

É bom sentir o mundo, gostava de o abraçar inteiro de uma só vez.

Como não posso, tenho que abraçar uma pedra de cada vez... olhá-las com calma, uma por uma, pois todas elas são diferentes e também são vida, tenho que ver o mundo um pouco de cada vez.

Comer melancias, pêssegos de agosto, ameixas, peras doces, beber a água fresca das fontes, trepar árvores antigas de olhos fechados, agarrar os varões das pontes e mergulhar lá do alto para confirmar se os peixes ainda se escondem nas mesmas tocas das paredes de pedra do rio.

Procuro e Perco-me...

Procuro  e perco-me,

já nao sei quem sou, quem devia ser,

sou apenas uma marca,

de um sonho que vi morrer.

Um sem sentido faz-me cair,

já nem o doce sonho de um dia te ver,

aguça o desejo, de ser.

Só queria um tempo de outrora,

onde uma espera sorria, e um acreditar, vivia,

de que tu, um dia irias chegar,

e tudo iria desabrochar.

Mas foi somente, um corte,

de sangue profundo, que jorra, e cai,

num tic-tac de um tempo, que mata, que sai,

e leva, o teu conhecer, até um dia,

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