Amor

Avô

Avô,
Tive um pesadelo daqueles que nos deixam acordados o resto da noite.
Eu sei que já não tenho idade para ficar tão afetado com estas coisas, 
mas desta vez acho que tenho desculpa.
Lembras-te daqueles tempos em que eu acordava aos gritos sem saber se realmente continuava a sonhar?
Aqueles verões onde passava meses contigo com a tia, e a avózinha.
Aquelas noites onde só a tua mão possuia a capacidade de extinguir qualquer dor de barriga.
Lembras-te avô? 
Eu lembro-me.

ABRASAS

Tu és o meu porto seguro (...)
Onde eu quero ancorar o meu amor
- Depois de uma tempestade
Encontro os teus braços à minha espera
- Para encher o meu corpo com carícias
Na tua boca cada letra que deixo deixa-te vivo
- Tu és um rio de neve em fogo convertido
Em mim és um peito abrasas escondido.
Afinal os teus doces lábios, fascinam-me
(...) E convidam-me ao pecado.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

ENGANAR O TEMPO

O tempo corre nos retalhos da nossa vida
Dos nossos corpos já fragilizados de dor
Acumula-se na poeira dos olhos sem ver

Embaça os nossos próprios pensamentos
Escondendo todos os sentimentos doces
De cada um de nós, espalhando os medos

Deixando a descoberto os nossos segredos
Marcam para sempre as páginas envelhecidas
Do livro dos nossos sonhos mais perversos

As memórias são um velho espelho abstrato
Porta-retratos escondido na mente pela alma
O tempo marca o rosto de qualquer humano

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