Prosa Poética

Click no silêncio

Vou por esses caminhos
 
andando tímido
 
descalçando minhas tristezas
 
à fome
 
entre as esquinas dos afectos
 
gemidos, desertando acometidos
 
 
 
Dou um click nos meus silêncios
 
implorando afeições que ladeiam
 
as mesmas prateleiras
 
onde guardo solenemente
 
as dores marchando resignadas

Culpado ou inocente

São ternas as noites
e longas as insónias
que fotografo na moldura
de um raio de sol adormecido
entre madrugadas tecidas
em vagas de solidão mareando
o tempo com candura
 
 
- Apetece-me só
permanecer entre teu regaço
imigrando nos alados beijos
que me deixaste em recato
 
- Este é só meu jeito
de dizer
como mergulho nessa luz
abraçando-te num soberbo

Voltar no tempo

Decifra-me se puderes
 
encontra-me neste poema
 
tantas vezes reescrito
 
onde mergulho cada palavra
 
no tempo infiel e proscrito
 
 
Reserva-me todos os murmúrios
 
onde transformamos gargalhadas
 
em versos de prazer inédito
 
alimentando o sinédrio dos meus
 
juízos tão itinerários e frenéticos
 
 

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