Rio de Maio

À dor neguei tua partida
 
quando partiste
 
e eu
 
sem esperança
 
ao tempo estanquei qualquer
 
queixume por te ter
 
na minha ausência
 
quando despertámos mais confidentes
 
aposentando qualquer felicidade
 
baralhada pelo destino
 
inevitável,fugaz
 
camuflado de tanta criatividade

Na tua ilharga

Embrenho-me hoje
 
perto da nudez madrugadora
 
roubando todas as horas
 
que me deixaste no lençol
 
da noite
 
tilintando provocante
 
contentando-me inteiramente
 
nesta musicalidade tão aliciadora
 
e longamente gratificante
 
 
– Deleito-me despido ali à beirinha
 
onde me emprestas tuas vertigens

Saudade

SAUDADE

 

O tempo passa e tudo que vivemos fica para trás 

Saudade daquele tempo que pulava, e brincava

Esse tempo não volta mais!

Tempo, que eu ainda era criança! Cheia de esperança!

Saudade daquele tempo que cresci

junto a natureza! tudo era beleza.

Saudade da minha mãezinha, que nervosa a me chamar:

Menina vem depressa! seu banho tem que tomar.

Saudade dos meus irmãos, apelidos a me colocar, 

E eu muito dengosa, me punha a chorar!

Saudade da escola, Passar cola?Nem pensar! 

Na Minha Cidade, Na Minha Bela Lisboa

Já tu haverias regressado desse passeio 
de rosto pálido e sereno, respirando essa brisa fresca
do entardecer à beira rio, 
quando ao largo do Tejo se entoa um fado 
fazes um poema, fá-lo com cuidado 
empenha esse teu ser e essa tua alma 
fumas um charuto e bebes desse vinho tão amargo

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