Pobre Menino Inferior

Pobre menino inferior...
Três anos de muita ira e desamor.
Infusível com o mundo mágico lá fora
Malabarista da injustiça na mira do ardor!
Pobre menino inato
Mofado na infância do chato.
A rua é a rinha 
E ele nasceu na calçada da vizinha. 
Sua mãe, infiel, vacilou... 
Não andou na linha
Foi friamente dilacerada
Na esquina da Gean Meirelles de Espada.
O pai, preso quase a vida inteira,

O Código Murmurativo...

Escolheram os dias para ficar de luto...
E ditaram o código murmurativo! 
Formaram um pequeno texto supérfluo.
Leram sob aquela muvuca de jornalistas!
E cada um dos jornalistas especulou.
Sem prantos nem dores: a notícia limpa!
Na complexa lanchonete deles
Sem sentimentos pois nós somos o cardápio.
Não citaram os exemplos enfraquecidos...
E para calar as nossas perguntas
Um monumento gritante logo logo, vai ser erguido!...

Boçal

A viatura estacionou
Todos traziam armas.
Escadarias vazias... 
Os únicos magrelos da praça! 
Caçados pelo cassetete!
Rolou uma baita pancadaria
Sem falsas cortesias. 
Bem-educado é o caramba!
"Vagabundo do caramba..."
O pior era aquele que achava que era eletricista
Veio como um raio com a força de um trovão egoísta
Portas abertas... queremos as fichas!!!... 
Estávamos estagnados pelo efeito da adrenalina

Histórias e Amigos...

Não tenho fábulas, mas tenho histórias
Tinha muita facilidade em vivê-las. 
Nunca estava fadigado 
Jamais veria as fagulhas verdadeiras...
Eles deixaram.
Deixaram de orar por minha causa. 
Andam dizendo por aí
Que eu perdi as estribeiras!...
Não tenho nebulosas, 
Tenho muitos conhecidos
Tive tanta facilidade em conhecê-los...
O tempo se passou e, como um cacho de bananas
Foram todos se despencando...

Aquela Onda...

Batia a tardinha e vinha aquela onda...
Na brisa de estio, praieira vazia.
Soprava a marola e vinha aquela onda...
Como se, quando batesse
Viesse cobrindo todo o lixo do meu dia
Numa pequena demonstração de espetáculo e euforia.  
Eu, sentado na duna solitária,
Era um solitário de igual para igual
E sempre vinha quando a tardinha batia. 
Só pra ver aquela onda... 
Só pra ver aquela onda...

Enfileirados (Nós Fomos)

Desde logo muito cedo fomos todos enfileirados
Como feridas em observatório, nos implantaram medos desastrados...
Desde muito, muito cedo já não mais jogavam as oportunidades pra nós
Desde muito tão bem cedo fomos todos entitulados
Como doentes com vícios, neuroses e códigos marcados...
É porque tudo já foi friamente formulado antes de tudo começar...
São coisas que não se corrigem mais.
(Desde muito muito cedo nós já fomos manipulados!...)

Arruinados.

Arruinados com casos e índices...
Planeta em estado de choque!
Momento perigoso pra vida. 
Notícias nas capas de jornais dão ibope... 
Coisas esquecidas no vento. 
Culturas soterradas com o tempo.  
(Fotos e Arte Moderna não são mais
Os futuros ornamentos.) 
Ou tu não lembras mais dela?...
(As pinturas da Tarsila 
Os poemas do Oswald...)
Talvez sejamos burros mesmo.
Ou talvez sejamos loucos! 

Vamos Aplaudir de Pé Como Homens Errados...

Vamos aplaudir o golpe célebre. 
Os olhos vendados de celhas e cílios burros
O nosso incôndito senso de "eu estou certo"!...
Somos desorganizados, rebeldes e duros. 
Vamos incidir como os Incas e Espanhóis
Numa batalha desvantajosa e incompassível. 
Pois o tempo se afogou no mar com os caracóis 
E a cicatriz descosturou a nossa inconexão...
Bocas fechadas, bocas de fachada.
Poderes quantos poderes...
Quantos capazes de realmente sairem da situação...

Surpresas e Testes...

Coisas do cotidiano são como um corte na folha do dia;
Era uma coisa que não era pra acontecer, e acontecia...
Deixa suave que eu vou lembrar bem de toda essa patifaria!...
Nossos retratos ficaram como provas de todos os dias.
E às vezes uma sensação de alívio vem me aquecer e me diverte,
Veja, enfrentamos diversas sucessões de surpresas e testes!
 
24 . 08 . 2014

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