Abutres da Carcaça!...

São almas desgovernadas e foras de tempo. 
Os abutres da carcaça quase nunca aparecem
Mas ficam com as antenas ligadas em qualquer florescimento!
Como se estivessem em guerra, mas em guerra o tempo inteiro.
(Uma confusão de tudo dentro de uma guerra de si mesmo.)
Abutres da carcaça nunca repartem nada no meio.
E ainda saem entristecidos por qualquer prejuízo.
São mentes malígnas e manipulativas de saboreio!... 
 

Um Sem-Teto No Shopping...

Nasci na favela (favelado) 
Não tenho casa nem carro (sem-teto). 
Não tenho sapatos sports... 
Mas certo dia fui até o shopping de luxo.
Entrei na loja de grife;
Experimentei alguns roupões de seda...
Gostei muito do relógio de diamantes.
E como ficou lindo no meu pulso.
Pus os meus dois lindos filhos a brincar 
O mais velho sentou no cavalinho importado. 
Ficou se embalando... Ficou super encantado. 

Vida Severina (Mulher Atropelada)

Uma mulher atropelada 
Na avenida movimentada
Como uma vira-lata...
Ficou lá, estirada!...
Uma mulher. Atropelada. 
No anonimato. No nada... 
Duas horas e nada!
Carne morta na esquina!
Avenida movimentada...
Mais uma vida severina
Que nunca mais será lembrada. 
Empregada doméstica;
Ela estava grávida...
Ah! É claro que ela morreu. 
Ela continuou sendo atropelada...
Ninguém parou

Miolos Libertinos

Os miolos libertinos flutuam no meu cérebro.
Como mudanças constantes em tudo e em mim... 
Movem as minhas vértebras e me localizam no inferno. 
E eles funcionam o tempo todo. 
Meu sangue passeia o tempo todo. 
Os miolos libertinos crucificam a imprecaução
E adotam como escudo o sal de iodo... 
A liberdade de direitos na nação... 
Os miolos já foram enganados e conhecem
As bandeirolas da perfeita impressão. 
Num ritmo calmo e um tanto brincalhão;

Pobre Menino Inferior

Pobre menino inferior...
Três anos de muita ira e desamor.
Infusível com o mundo mágico lá fora
Malabarista da injustiça na mira do ardor!
Pobre menino inato
Mofado na infância do chato.
A rua é a rinha 
E ele nasceu na calçada da vizinha. 
Sua mãe, infiel, vacilou... 
Não andou na linha
Foi friamente dilacerada
Na esquina da Gean Meirelles de Espada.
O pai, preso quase a vida inteira,

O Código Murmurativo...

Escolheram os dias para ficar de luto...
E ditaram o código murmurativo! 
Formaram um pequeno texto supérfluo.
Leram sob aquela muvuca de jornalistas!
E cada um dos jornalistas especulou.
Sem prantos nem dores: a notícia limpa!
Na complexa lanchonete deles
Sem sentimentos pois nós somos o cardápio.
Não citaram os exemplos enfraquecidos...
E para calar as nossas perguntas
Um monumento gritante logo logo, vai ser erguido!...

Boçal

A viatura estacionou
Todos traziam armas.
Escadarias vazias... 
Os únicos magrelos da praça! 
Caçados pelo cassetete!
Rolou uma baita pancadaria
Sem falsas cortesias. 
Bem-educado é o caramba!
"Vagabundo do caramba..."
O pior era aquele que achava que era eletricista
Veio como um raio com a força de um trovão egoísta
Portas abertas... queremos as fichas!!!... 
Estávamos estagnados pelo efeito da adrenalina

Histórias e Amigos...

Não tenho fábulas, mas tenho histórias
Tinha muita facilidade em vivê-las. 
Nunca estava fadigado 
Jamais veria as fagulhas verdadeiras...
Eles deixaram.
Deixaram de orar por minha causa. 
Andam dizendo por aí
Que eu perdi as estribeiras!...
Não tenho nebulosas, 
Tenho muitos conhecidos
Tive tanta facilidade em conhecê-los...
O tempo se passou e, como um cacho de bananas
Foram todos se despencando...

Aquela Onda...

Batia a tardinha e vinha aquela onda...
Na brisa de estio, praieira vazia.
Soprava a marola e vinha aquela onda...
Como se, quando batesse
Viesse cobrindo todo o lixo do meu dia
Numa pequena demonstração de espetáculo e euforia.  
Eu, sentado na duna solitária,
Era um solitário de igual para igual
E sempre vinha quando a tardinha batia. 
Só pra ver aquela onda... 
Só pra ver aquela onda...

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