Grande Sonho

Vou estudar a gramática normativa e deixar de ser poeta
É o que me resta agora com a idade avançando
E o medo do futuro incerto (de ser poeta) me estremece
Infelizmente terei algumas contas para pagar,
Alguns filhos para alimentar
E não será com amor que o estomago deles se encherão
Que tal eu escrever um livro?

Liberdade

Liberte-se. Tal
Liberdade não
Liberta
O achar voar, incerto
Tão perto do chão, da cova
A prova da falsa vida
Liberta
Liberte-se não
Liberdade tal
Dessa liberdade incerta
Dada por tal qual iludido
De ter mente aberta
Ele diz: “querer é poder”
Seu tolo, poder é questão de ter

Não Existo

Quando criança fazia piadas
Diziam como um elogio:
                                                                       -“Ian, você não existe!”
Hoje na faculdade meu professor de filosofia disse
                                                                                  -“Nós não existimos somos projeções da sociedade”
Estou começando a acreditar no dito
Na verdade, acho que acredito

Container quebrado

CONTAINER QUEBRADO

 

Fogos de artifício invisíveis estouram ao meu lado

Supernovas explodindo na parte de dentro

Estrelas se colidem com minhas sensações

Não, não quero me conter

 

Supostas derrotas e vitórias verdadeiras

O equilíbrio da balança pelo desequilíbrio do momento

Viajo por galáxias de memórias passadas e futuras

E o sempre/agora vence mais uma vez

 

Não, não quero me conter!

SUSPIROS AMOROSOS

Escuta! Em nossa alcova da voz o romper
- é o silêncio plácido de quem vai morrer –
A desertar teus lábios num momento apenas;
Escuta! O céu lá fora as tranças desatando,
Em nosso frio telhado o vento tropeçando,
Trovões monstruosos devorando as avenas!

É bom teu seio ouvir durante a tempestade
E crer que serás sempre a minha majestade,
Quando cavalga o raio na nuvem escura.
Eu vejo em teu olhar os prantos luminosos,
A tua alma arder como os sonhos voluptuosos,
Quando num suspirar te falo de ventura.

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