Reestamentalização Social

Nós, que tanto reclamamos das questões políticas
Mas fugimos de todas elas depois de suas épocas...
E sendo assim, lançamos fragmentos de uma crítica
Que talvez tenhamos escutado semana passada,
De alguém que entendia o assunto.
Nós, que clamamos no osso por uma reestamentalização social
Quando o Estado se tornou vago
Quando o benefício não foi pago!...
Quando eleitorado vendeu o voto...
Lembram de 97? 
Então. O pataxó hã-hã-hãe agradece!

Processo de Recrutamento

Todo dia uma chamada. 
Eles chamam! Eles chamam...
Eles chamam toda hora... Toda estrada!...
Todo dia uma nova chamada, e eles chamam! Eles chamam!...
Chamam nos microfones... Chamam com o dinheiro...
Nos chamam pra emboscada.
Nos chamam pro cativeiro, a maior cilada
Pois todo dia é uma nova chance de dar em nada...
Temos que nos jogar, vamos fazer o quê?!...
Apostar, apostar e apostar. 
Basta abrirmos os olhos. Já nascemos no tudo ou nada!

O Brinde...

O brinde à vida se faz com o viver de bem para alguém 
O ódio será sempre um intruso corriqueiro na vida do bem...
A segurança de que algo está realmente pleno e feliz
É acordar e, no sol observar o novo dia que nos diz:
"O novo brinde à história se fará com a geração aprendiz!..."
 
24 . 08 . 2014

Mascarados Corpos Ágeis

No declive do morrão ou no tapete de chão
Mascarado quanto às vozes da razão. 
Porque a sociedade e o cidãdão 
São invenções da moda... 
 
Na areia de mansão ou no tablado de um porão 
Mascarado o meu coração. 
Que só pra ela se abre. 
Porque a sociedade e os cidadãos 
São questões invariáveis. 
 
(Fazem bem como mascarados os corpos mais ágeis.)
 
21 . 08 . 2014

Funil (Se Conquistado)

Oh funil, que se conquistado
Abre-me todos os caminhos!
Tenho ainda algumas coisas
Das quais eu devo ao meu ninho. 
O meu começo 
Foi estreito e muito testado
Mas o funil, se conquistado,
Arde-me no fogo dos valores pesados.
(Dos grandes valores
Que pra sempre serão guardados
E estudados
E comentados!)
É, com toda a certeza, um enorme tipo de fardo...
Funil que se conquistado

O Fumante No Final

O fumante no final da sua trajetória 
Quis fumaçar as forças gastas com a vitória. 
Já não tinha. 
Já não tinha brasa.
Já não tinha asas. 
Quis despedaçar os pedaços untados em vão
Que já não tinha. 
Já não pensava.
Já não sentia...
O fumante, no final da impaciência,
Caiu no isolamento de si mesmo...
Os seus isopores com insulinas 
Viraram isopores com cervejas
E algumas seringas finas. 

Fluxo

Veias sanguíneas
Comprimidos de aspirina 
Entre sirenes,
Sirenes e buzinas!
Tudo é fluxo decorrente
Nas vertentes e chacinas...
Fluxo,
Fluxo de dopamina.
Tudo é fluxo que se aproxima
E quanto ao olhar carente da menina
Pra minha paz correta voltar
É quase que uma vacina!...
 
24 . 08 . 2014

A Nossa Ferida Está Infeccionada.

A feridama dos enfermos efêmeros,
Um corre com o fruto pra um lado!...
O outro corre com a vida pro outro... 
Manias? Pois deixe mesmo os teus desejos de lado!
Venha viver na nossa agonia
No berço do nosso pequeno quadrado...
Largue esse patrimônio imanejável!
E venha ralar a dose 
Na nossa sensação sufocável.
Venha! e nem faça cortesia. 
Passe com a cabeça baixa
Que hoje ainda não é dia!...
Nada foi questão de mágica. 

Hoje

Parar o agito da erva

açoitada pelo vento da cidade,

acalmar vagas

arrastadas pelo vento do oceano,

mover pernas

desordenadas pelo desencanto,

esbracejar ramos de floresta

apontados para o horizonte,

morder ossos abandonados por

desinteressantes.

 

Comer  a fome do amor

no fastio das jornadas,

beber a sede que refresca

nos oásis dos tempos

percorridos juntos

em abraços de oceano,

largo, de milhares de léguas,

encantamento de novos mundos,

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