Vamos Aplaudir de Pé Como Homens Errados...

Vamos aplaudir o golpe célebre. 
Os olhos vendados de celhas e cílios burros
O nosso incôndito senso de "eu estou certo"!...
Somos desorganizados, rebeldes e duros. 
Vamos incidir como os Incas e Espanhóis
Numa batalha desvantajosa e incompassível. 
Pois o tempo se afogou no mar com os caracóis 
E a cicatriz descosturou a nossa inconexão...
Bocas fechadas, bocas de fachada.
Poderes quantos poderes...
Quantos capazes de realmente sairem da situação...

Surpresas e Testes...

Coisas do cotidiano são como um corte na folha do dia;
Era uma coisa que não era pra acontecer, e acontecia...
Deixa suave que eu vou lembrar bem de toda essa patifaria!...
Nossos retratos ficaram como provas de todos os dias.
E às vezes uma sensação de alívio vem me aquecer e me diverte,
Veja, enfrentamos diversas sucessões de surpresas e testes!
 
24 . 08 . 2014

Sujeito Alienável

A televisão ligada 
Controle remoto na mão. 
As reclamações sem fundamento
A barriga explodindo... 
No pátio havia muito limo
E alguns pedreiros fazendo cimento,
O cérebro em pura mentira esfarrapada 
Pura alienação se autodestruindo por dentro.
A proposta barata 
As roupas baratas... 
O sangue de barata.
A casa emprestada. 
Os agentes da morte do esgoto todos de pé e sorrindo. 

Reestamentalização Social

Nós, que tanto reclamamos das questões políticas
Mas fugimos de todas elas depois de suas épocas...
E sendo assim, lançamos fragmentos de uma crítica
Que talvez tenhamos escutado semana passada,
De alguém que entendia o assunto.
Nós, que clamamos no osso por uma reestamentalização social
Quando o Estado se tornou vago
Quando o benefício não foi pago!...
Quando eleitorado vendeu o voto...
Lembram de 97? 
Então. O pataxó hã-hã-hãe agradece!

Processo de Recrutamento

Todo dia uma chamada. 
Eles chamam! Eles chamam...
Eles chamam toda hora... Toda estrada!...
Todo dia uma nova chamada, e eles chamam! Eles chamam!...
Chamam nos microfones... Chamam com o dinheiro...
Nos chamam pra emboscada.
Nos chamam pro cativeiro, a maior cilada
Pois todo dia é uma nova chance de dar em nada...
Temos que nos jogar, vamos fazer o quê?!...
Apostar, apostar e apostar. 
Basta abrirmos os olhos. Já nascemos no tudo ou nada!

O Brinde...

O brinde à vida se faz com o viver de bem para alguém 
O ódio será sempre um intruso corriqueiro na vida do bem...
A segurança de que algo está realmente pleno e feliz
É acordar e, no sol observar o novo dia que nos diz:
"O novo brinde à história se fará com a geração aprendiz!..."
 
24 . 08 . 2014

Mascarados Corpos Ágeis

No declive do morrão ou no tapete de chão
Mascarado quanto às vozes da razão. 
Porque a sociedade e o cidãdão 
São invenções da moda... 
 
Na areia de mansão ou no tablado de um porão 
Mascarado o meu coração. 
Que só pra ela se abre. 
Porque a sociedade e os cidadãos 
São questões invariáveis. 
 
(Fazem bem como mascarados os corpos mais ágeis.)
 
21 . 08 . 2014

Funil (Se Conquistado)

Oh funil, que se conquistado
Abre-me todos os caminhos!
Tenho ainda algumas coisas
Das quais eu devo ao meu ninho. 
O meu começo 
Foi estreito e muito testado
Mas o funil, se conquistado,
Arde-me no fogo dos valores pesados.
(Dos grandes valores
Que pra sempre serão guardados
E estudados
E comentados!)
É, com toda a certeza, um enorme tipo de fardo...
Funil que se conquistado

O Fumante No Final

O fumante no final da sua trajetória 
Quis fumaçar as forças gastas com a vitória. 
Já não tinha. 
Já não tinha brasa.
Já não tinha asas. 
Quis despedaçar os pedaços untados em vão
Que já não tinha. 
Já não pensava.
Já não sentia...
O fumante, no final da impaciência,
Caiu no isolamento de si mesmo...
Os seus isopores com insulinas 
Viraram isopores com cervejas
E algumas seringas finas. 

Fluxo

Veias sanguíneas
Comprimidos de aspirina 
Entre sirenes,
Sirenes e buzinas!
Tudo é fluxo decorrente
Nas vertentes e chacinas...
Fluxo,
Fluxo de dopamina.
Tudo é fluxo que se aproxima
E quanto ao olhar carente da menina
Pra minha paz correta voltar
É quase que uma vacina!...
 
24 . 08 . 2014

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