Uísque (O Canzarrão)

Na sala estava caído.
Derrotado pelo uísque...
 
Num colchão. Só e estirado!
De tanto que havia bebido
De veneta acabara deitado!
 
Dei boas-vindas com o fôlego da mente
E o esforço, nem sei de qual indução!
Como quem procura e por assim consente
 
Avivou-se um dia todo depois...
Veio ter uma conversa comigo.
Parecia mais um canzarrão!...
Aquela fala áspera de tom grave

Sonhos sem Gravidade (Fragmentos)

Na esquina dos sonhos sem gravidade
A sua alma nos meus sonhos com a mesma idade...
 
Recordações que um dia foram.
Mas dias como flechas que já se foram!
 
Tudo se passa,
Mas se escrevo, é porque ainda enxergo a luz do luar
Muitos lobisomens à solta...
Muita veracidade!...
 
A sua alma nos meus sonhos com a mesma idade...
Saudade! Oh saudade!...
Minha Velha Amizade!...
 
Vidas passadas

Páginas de Guerra (Fragmentos)

Hoje, nenhum beligerante conveio ao armistício!
Na pobreza extrema em que tombam magros
Para morrer não haveria outro momento propício...
 
Arquivaram-se todas as felicidades chamejantes!...
 
Os flagelados rufaram os seus tambores
Na rica melodia de todas as vidas juntas.
Em condições desumanas, culturas e cores
Os flagelados massificaram as condutas!
 
Na intelectualidade virtual de hoje, e-mail

Metal Motorizado (Na Rua Que Era Avenida)

Lá na grande rua que era avenida,
Dobrava o itinerário e motorizado
Que por todos nós era sustentado
Lá na grande rua que era avenida!
 
Os quebra-molas eram arrebatados...
Os horários, quase sempre atrasados
Lá, os opostos se encaravam lado a lado!
O pão e o leite, que no porvir seria comprado...
 
E o menininho pequeno alimentado!
E as contas atrasadas todas pagas...
Lá na grande rua! Que era avenida,

Fichas de Pôquer

Fichas de pôquer.
Verão,
Infância.
Alegrias passadas!
Sol forte.
Bola de futebol.
Cachorrinhos.
 
Brinquedos no tapete...
Família reunida!
Ceia de natal
No pátio, correria...
Na área, as risadas!
Gente do lado da vida
 
No pôquer dos dias,
Uma ficha jogada.
- Histórico da infância:
Alegrias passadas. 
 
08 . 06 . 2014

Antigo Andar Alugado

Vários quadros em metáforas
Eis-me um pleno navio de carga!
Meus vícios são prova amarga
Dos garfos entre as facas...
Na cozinha, sempre pizza congelada
Um sofá-cama amical, na sala...
 
Recordações, construções...
Antigo Andar Alugado da ladeira urbanizada
Conservado; encontrado logo que descendo o colégio...
Tapetes espalhados pela entrada e alguns cães de raça.
Todas as janelas observavam áres ambientadas.
 

A Dama da Noite (Fragmentos)

Arfando enrugada ela estava.
Anódina de corpo; abatida
Veterana nos cardápios da vida!
Todos os cabelos bem branquinhos.
Era um ser caroável ao desejar algo,
Mas na mesma medida
Raivoso, quando odiava à âmago!
 
Tinha lá as suas crises respiratórias
Eram quatro estações por dia!...
Tinha que se estar preparado!
Para as mudas de rosa, primaveres... 
E para as folhas prostradas do outono
 

O Arcano da Coruja

Ouviu-se falar em noite cinzenta
Do vôo, como num risco! da coruja...
Certo animal traz notícias sedentas!
Ainda mais sobre a fortíssima chuva
 
Vem num tom de augúrio exuberante!...
Linda ave dos convés da natureza viva
Que por trás de todo o seu charme elegante
Pousa daqui ali! Aquém e além, definitiva!
 
- Sinal da forte chuva é que não deve ser!
E aquelas asas leves e rápidas da fiel coruja

Posto de Saúde da Comunidade

Oito horas da manhã de inverno
No Posto de Saúde da comunidade
Pessoas desenganadas na desigualdade
(No outro lado da desigualdade!)
Enumeradas no declínio da piedade
Ali, como exemplares da vida esgotada!
Pessoas! Sem papel para mais nada...
Engodadas na teia de mentiras sociais
Disputando o seu dia-a-dia distante da grande cidade
 
... Pessoas-personagens ...
 
No enredo. Só. Em busca de solidariedade...

Um Nefelibato Brasileiro

Eu sou simbólico!
No meu campo de visão surge um Jogo de Sinais sórdidos
Testes para mim...
Como a hermética Torre de Marfim!
Troféu desse Jogo de Animais
Dado à quem se chega no pódio
E no fim
 
De vez em quando acordo assim!
Quero ver o erro errado e procuro no vago...
Transformo substantivos comuns em absolutos
Quero ver o erro errado e cavoco no raso.
 
Sou hoje revolucionário de meu próprio consciente!...

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