O escalar

Por mais palavras proferidas
Por mais vozes altas ecoadas
Nada seca as fundas feridas
criadas por línguas afiadas

Nada bloqueia a maldade
A agressão por palavras
Que violam a mentalidade
e fazem das ações, escravas

A cobardia de bater
Parte primeiro de gritar
Do falar para enfurecer
Antes de tudo desgraçar

Doméstico apenas o nome
Pois é violência descarada
De quem usa o cognome
“Covarde de mão fechada”

O Velho e eu velho

Quis fugir do destino
Escondendo-me opaco
Na alma de um menino
Mas o velho é macaco!

Sabotei o tempo imuto
Com bombas de ilusão
Mas o velho é astuto!
E atirou-me a desilusão

Cortei amarras ao mundo
Tentando fluir na maré
O velho viu-me do fundo
Puxou-me, perdi o meu pé

Estava quase afogado
Cheio de fel borbulhando
Mas o velho é danado!
E fez-me viver chorando

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