Desejo

Se eu pudesse voltar no tempo

Nem pederia um dia

Apenas uns minutos.

  Voltar no tempo!

Queria que fosse no dia que te conheci

 Queria uns segundos daqueli sorriso gigante.

Se eu pudesse corrigir, talvez corrigisse o meu medo.

 Se eu pudesse entao repetir uma cena seria...

  o daquela noite do qual tao silencioso ficaste.

Se eu pudesse desfazer algo

 Seria recuar no tempo e arrancar a magua que te causei

   Se eu pudesse ainda pedir um desejo

Seria ir de traz para frente corrigindo,

lágrima

Lá bem no fundo, no escuro; o tédio, a mágoa e uma tristeza de sonhos irrealizáveis. Sonhos esses impossíveis de esquecer e por quem existe sempre uma profunda e verdadeira lágrima. Porque será que apenas nos apercebemos do verdadeiro valor do que possuímos somente quando o perdemos.
 

Amarga vitória

Um fracasso

Interminável.

Temo-o e adormeço,

Tranquila.

Pouco sei, ultrapassa-me

Todo o saber apesar de o querer

No ínfimo ser que sou.

Diria-o meu Cabo das Tormentas

Nos dias que menos maus

Terminam ainda de dia.

E vou crendo 

Na ignorância sumida.

 

Tanto quanto o cego querer

Abrir os olhos e ver. E chorar,

Chorar porque é a hora!

O escalar

Por mais palavras proferidas
Por mais vozes altas ecoadas
Nada seca as fundas feridas
criadas por línguas afiadas

Nada bloqueia a maldade
A agressão por palavras
Que violam a mentalidade
e fazem das ações, escravas

A cobardia de bater
Parte primeiro de gritar
Do falar para enfurecer
Antes de tudo desgraçar

Doméstico apenas o nome
Pois é violência descarada
De quem usa o cognome
“Covarde de mão fechada”

O Velho e eu velho

Quis fugir do destino
Escondendo-me opaco
Na alma de um menino
Mas o velho é macaco!

Sabotei o tempo imuto
Com bombas de ilusão
Mas o velho é astuto!
E atirou-me a desilusão

Cortei amarras ao mundo
Tentando fluir na maré
O velho viu-me do fundo
Puxou-me, perdi o meu pé

Estava quase afogado
Cheio de fel borbulhando
Mas o velho é danado!
E fez-me viver chorando

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