DESTERRADO

            DESTERRADO!

Sentou-se junto ao rio, tristemente...

Olhar vago. Semblante pensativo...

Perscrutavo o longínquo firmamento

Ansiando do céu um incentivo.

 

Que mágoa sentirá que o consome ?

Que esconde sob o olhar angustiado ?

Não terá um amor que o console ?

Terá sido por ele abandonado !?

 

No silêncio, seu grito era audível !

Quis comungar com ele seu sofrer ,

Atenuar-lhe a mágoa ...o doer !

 

Correrá atrás  d'um pouso fiável ?

Ou s'enredou na teia que teceu ?

Despedida

Despedida

Vem sentar-te comigo ao entardecer
Sentir as metáforas moribundas de um peito aberto
Rasga de mim o rascunho desbotado da lágrima
...erradia de mim um verso...ébrio...
...uma melodia crepuscular...
Retira de mim toda a ternura que nunca escrevi
Bebe dos meus olhos , o sal que o mar não tem
O diluvio serenado em silêncio ...

CACHOEIRA

Sobre o frio dorso de pedra,
Qual da musa a pele lisa
Seu influxo quando medra
Tão veloz ele desliza,
E sua lampeira queda
Nas torrentes alguém frisa.

De colossal formosura
Ela exibe a cabeleira,
Um manto cuja ternura
É mágica e feiticeira!
Mais parece uma moldura
Da beleza derradeira.

Vem de longe, mui distante
Este sangue transparente,
Que correndo qual infante,
Rastejando qual serpente
Lança o voo delirante
E despenha decadente.

Às vezes no silêncio da noite...

A madrugada corre lá fora,

E eu só penso nela...

O mundo corre atrás de uma bola,

A bola rola pelo mundo afora,

O mundo afora é mais sensato que eu, 

E eu só penso nela...

 

As questões de vida e morte não são tão distantes,

São tangentes,

Latentes.

Latente como o meu pensamento,

Que só pensa nela...

E a madrugada, a minha amada e o silêncio,

Se misturam, Se agrupam, Se confundem

E, a única coisa que faço é pensar nela...

 

Pensar... Ser racional... Ser... Pensar nela...

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