PERFIL

                PERFIL

 

    A terra, a mim, nada me deu de graça.

    Nem fui levada a braços, em liteiras.

    Mas deu-me força incrível ! De guerreira

    P'ra buscar mais alto o que o sonho alcança !

 

    Sou alma indomável ! Sempre o soube.

    E amo a chuva...a música... As flores !...

    Sou altiva ! Ou humilde ! Escondo as dores.

    Rio e falo comigo ! Ninguém me ouve.

 

    Lancei as sementes p'ra ser feliz.

    E busco a justiça. Enxergo a razão.

SONHOS DE POETA - II

SONHOS DE POETA – II

Poema de sofrimento, um grito alado de dor
que ecoa no vazio, entre as margens do lamento.
Na conjuração das asas, para transpor abismos,
segura nas garras o símbolo do sentimento.
Fragrância latente no estigma da alma em flor,
verbo devoluto que se desfolha nos eufemismos
dos pensamentos trajado no negro da desilusão.
Sem alento, as visões mastigadas, jazem caídas,
varridas, para esse abismo profundo de solidão.

Prostitutas de vinténs

No pulso,
O relógio passeia incansável nas horas,
Eis como ondas nos minutos
Em persuasivos tic-tacs de insônia.

O momento varão e bruto espreita fiel
Os moribundos nas sarjetas
Enquanto notas compram almas nas lojas
Enfeitadas de anjos miúdos nas vitrines sensíveis,
Enquanto desejos amam e amam
Confeitos açucaram cérebros frenéticos à compra à cata... contra peito.

Viajantes de passagem com pouco tempo para bolinar com estadia,
O sexo com mulheres à venda,
Prostitutas de vinténs.

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