Lusco-fusco

 

Bem vestida.

Traje; escuridão.

Negra, negra fluindo cheiro de seiva.

 

Canta... Cantarola uma cantiga,

Melodia antiga... Que instiga.

Som que só na sombra fica.

 

E por detrás de seus negros cabelos

Derrama-se o sol.

Banhando a vida.

Que por luxuria,

Grita... Grita... Grita

 

Vem noite...

Vem...

Penetre-se na imensidão.

Sussurre suas horas

Vem narrar a minha estória.

 

Enide Santos 12/06/14

 

PERFIL

                PERFIL

 

    A terra, a mim, nada me deu de graça.

    Nem fui levada a braços, em liteiras.

    Mas deu-me força incrível ! De guerreira

    P'ra buscar mais alto o que o sonho alcança !

 

    Sou alma indomável ! Sempre o soube.

    E amo a chuva...a música... As flores !...

    Sou altiva ! Ou humilde ! Escondo as dores.

    Rio e falo comigo ! Ninguém me ouve.

 

    Lancei as sementes p'ra ser feliz.

    E busco a justiça. Enxergo a razão.

SONHOS DE POETA - II

SONHOS DE POETA – II

Poema de sofrimento, um grito alado de dor
que ecoa no vazio, entre as margens do lamento.
Na conjuração das asas, para transpor abismos,
segura nas garras o símbolo do sentimento.
Fragrância latente no estigma da alma em flor,
verbo devoluto que se desfolha nos eufemismos
dos pensamentos trajado no negro da desilusão.
Sem alento, as visões mastigadas, jazem caídas,
varridas, para esse abismo profundo de solidão.

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